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domingo, 3 de maio de 2015

O primeiro e ultimo ensaio do ano: Auto conhecimento e os saberes de um vagal

Faz algum tempo que eu deixei este blog á sua própria sorte, pois o facebook me parecia uma plataforma muito mais atraente para expor meus pensamentos...Num entanto, chegou o momento que eu senti a vontade de compor, semear e colher um texto mais longo que necessitaria de um fundo azul escuro e de letras brancas. 
Sabendo que, de alguma forma, o conjunto dos conhecimentos e saberes que temos do mundo é raramente baseado em coisas que realmente estudamos com profundidade (afirmo isso sem me basear num estudo cuidadoso), eu queria escrever algo que me servi-se aos meus propósitos introspectivos: descobrir, na medida do possível, os limites de meus saberes, quais são os saberes mais refinados, e quais deles são mais obscuros que advém apenas de opiniões que aceitei do meio. 

Esse post servirá mais como uma referência para mim mesmo do que um ensaio, um artigo, ou uma publicação que tem a intenção de atingir algum público. 

sábado, 25 de janeiro de 2014

O deus da lagoa verde - ciência e religião

Minha atual concepção sobre ciência e religião é fruto de 3 anos vendo sites de defensores do Design Inteligente, vendo canais de Vlogueiros como Pirulla, Clarion, Iuri, acompanhando o blogueiro Eli Vieira, e lendo um pouco a bíblia, Richard Dawkings, Nietzsche, uma biografia de Sartre e um livro verde que falava resumidamente sobre Kuhn e Popper. Longe deste currículo me tornar um Betrand Russel da vida, eu tive vontade de fazer esse post com uma pergunta: "O que separa o cientista do religioso?". Fiz o post também por causa de um personagem de um dos meus livros...Em breve vocês entenderão...

Resposta a pergunta

O cientista e o religioso tendem a ter discursos diferentes, bem como, visões de mundo diferentes. O cientista quer saber, de modo que este saber é baseado apenas em demonstrações e evidencias. O religioso quer acreditar. Vemos, então, reações opostas, ora, um está procurando a objetividade no mundo, quanto o outro, uma cosmovisão universal e metafisica que não é corroborada em evidencias, senão, por premissas anedóticas. Há ainda o "cientista religioso", que, se não tenta usar a ciência como meio para corroborar a existência de seu universo divino cultural-subjetivo que lhe convém, se mostra um cientista "normal", mas que ainda crê em um "designer". Pirulla ainda faz uma distinção interessante, entre fé e religião, sendo a primeira correspondente ao que VOCÊ acredita, e a segunda correspondente ao que os OUTROS querem que você acredite. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Cronicas de uma sala de aula

Primeiro dia de aula, do primeiro ano do ensino médio duma escola qualquer. Um jovem extravagante, de cabelos longos com cavanhaque cobrindo o queixo, entra na sala de aula e senta na carteira do professor. O volume das conversas paralelas começa a diminuir aos poucos, até que o silencio volta a reinar naquela sala quando aquele jovem dá três suaves batidas em sua mesa. 

"Meu nome é Artur Stinghen Barz" disse ele, "e eu lecionarei para vocês Historia, mas creio que 'Filosofia da História' seja um nome mais fidedigno a matéria a qual vou passar, ou melhor, tentar passar para vocês".
Ele pausa um pouco e continua o seu monologo:

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Cronicas do Conhaque com Gelo 5 - O lenhador estrábico e a pequena montanha de stoner metal

O lenhador estrábico

No pé de um morro, próximo a uma floresta de pinheiros, vivia um historiador aposentado que passava as suas tardes cortando lenha ou andando pelos bosques. Certo dia, numa manhã de outono, ele foi visitado por dois Testemunhos de Jeová que estavam distribuindo panfletos de propaganda religiosos. No decorrer da pequena discussão que o historiador e os religiosos tiveram, o historiador havia dito aos crentes que o interrogavam sobre sua descrença: "Eu estou inclinado a considerar que a verdade absoluta que vocês querem impor ao mundo, não passa na verdade de uma das muitas interpretadões que existem da verdade, e esta verdade não se diferencia muito dos outros mitos que já foram disseminados no mundo, mas mesmo assim, é estranho pensar que há muitas pessoas que se ofendem e até vêem com desdem a possibilidade de ser um mito como os outros. Eu poderia tentar convencer vocês disso, todavia, você já fizeram uma escolha, a escolha de considerar seus dogmas como acima de qual quer coisa e vê-los como verdades literais; e eu, por outro lado, optei em observar esses mitos como uma forma que vários grupos de pessoas encontraram para dar algum sentido a existência, eximindo-a da ausência de proposito, que a priori, o mundo tem".

Se eu fosse uma filosofia...

...eu teria tais preceitos (que não se importam em serem originais ou não, e nem se importam se são coerentes ou não):

1 - As primeiras impressões não são tão negativas quanto possam parecer. Na verdade, sem os pré-conceitos, daríamos um passo maior que a perna no que se refere ao conhecimento sobre o mundo. Como poderíamos pensar sobre arvores, sobre cidades, prédios, sem desenvolver, antes, conceitos primitivos sobre os mesmos? Aliás, existe algo que precede o conceito, propriamente dito? Lembre-se, estamos falando de pré-conceito, algo que precede o conceito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Devaneio nos livros - Heidegger: O que é metafisica?

Deste seguinte artigo, reservo a vocês, crianças barbudas e monstros de todos os tamanhos questões contidas no livro "O que é metafisica" de Martin Heidegger, questões que me permanecem obscuras mesmo depois de ler seguidas vezes. O livro, escrito em 1929, ainda teve um pósfacio adicionado posteriormente a obra em 1943. Os argumentos deste livro se focam em meditar sobre o nada, sendo este, para Heidegger, a instancia que possibilita que o ser-aí (dasein) tenha contato com os entes.

E antes de começar-mos, é bom colocar que, para Heidegger, o nada não é uma reles negação, pois o nada é mais originário que o não. 

 Nada = Vazio?


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Devaneio nos livros - Mundo de Sofia

Mundo de Sofia não foi só o livro que me motivou a começar a ler as obras de alguns filosofos, como também, me levou a ler qual quer coisa: desde de livros que falam da história medieval até livros de Nietzsche. Claro, há muitos livros que ainda precisam ser lidos (um Schopenhauer, por exemplo), mas depois de decorridos 2 anos da primeira vez que li este livro escrito por Jostein Gaarder, a atual fase que estou é apenas o começo de uma experiencia que durará a vida inteira. Vamos então, ao meu devaneio...



Dia 24 de dezembro de 2010

Foi neste dia fatidico que eu decidi cortar o cabelo. Ele já era consideravelmente grande, porem, depois de ter decidido cortar as pontas varias e varias vezes, bom, digamos que o meu cabelo estava uma merda. O arrependimento de te-lo cortado foi tão grande que não tava conseguindo dormir naquela noite. Eu parecia um Skinhead, ou algo assim...Não tinha só perdido alguns fios de cabelo, mas sim, uma parte de minha identidade. Eu estava exausto, porem, não conseguia dormir. Olhei para a gaveta do meu quarto e cogitei a possibilidade de ler aquele livro..."Mundo de Sofia"...Lembro-me que minha irmã tinha o lido em 3 dias, como sempre o faz com romances. Até lembrava do pouco que ela tinha me contado, mas eu achava que naquele momento, eu precisava de algo que me fizesse dormir, então, aceitei o desafio de ler pelomenos as primerias 10 paginas. 

Então, já nas primeiras paginas, o livro me surpreendeu. Só cessei de ler quando o sono era arrebatador e eu estava muita mais interessado nas questões que permeavam aquelas páginas inicais do que o corte de meu cabelo. Consegui então dormir, impressionado por ter lido, 40 paginas numa madrugada...
Uma jovem norueguesa que de repente é acometida por uma série de duvidas que a levam ao peculiar exercicio da meditação, a qual, não tinha experimentado até então...Eu estava vivendo, numa situação análoga a Sofia, e isso, me impressionou muito, como também, me fez me indentificar com a protagonista.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quarta Surreal - Perennial quest

A utlima musica do Symbolic! Perennial quest, como grande epilogo deste album, tinha a tarefa de se igular as musicas que o precederam de uma forma sublime...Schuldiner então compos o epilogo que só ajudou a melhorar a reputação do album. Enfim, vamos falar da musica isoladamente e as impressões que tirei dela...


A principio, são 8 epicos minutos...O que ja significa alguma coisa...A musica expressa muito sentimento e nos encanta com vossa beleza, mas, mais do que isso, creio que conte também uma história. É uma musica que fala de uma jornada eterna realizada por agentes mortais. "Mesmo que não irei viver o suficiente para ver os efeitos de todos os meus trabalhos e realizações, meus antecessores poderão vislumbrar o porvir que criei"...Eis a idéia que a musica quer expressar? Pois bem, em um mundo efemero, o homem se apega a coisas transcendentais e eternas (deste apego que nasce a metafisica?); e um trabalho realizado primeiramente por um ou vários homens se estenderá por séculos e milênios...
A jornada perene seria a jornada pelo conhecimento? "Abdique das vis volições e instintos que o prendem a ignorancia e os preconceitos, e pavimente seu caminho numa estrada eterna"...Essa máxima citada anteriormente me parece muito influenciada pelo ideal ascético, já discutido anteriormente aqui.
Talvez a musica fale dos caminhos árduos que as pessoas devem percorrer quando negam valores que muitos não ousam questionar ou meditar. Riffs que lembram uma escalada em montanhas severas, peregrinações em desertos de gelo e areia...Esta musica está recheada de desafios e obstaculos a serem superados. Parece também interpretar conflitos internos...Estamos dentro da mente daquele que tem que lutar contra si mesmo e o mundo em prol de uma pretensa jornada perene? No final da musica, ao que me parece, quando apenas dá para se ouvir o arpeggio, o noviço que agora se tornou um velho moribundo, se despede do mundo e confia aos filhos a tarefa de continuar com a jornada perene.
Mas ainda me pergunto, o que seria essa jornada perene? 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Propostas para uma discusão - religião

Lembro que as discusões que eu tinha com crentes eram no minimo onerosas - as lembranças dessas nefastas discusões permanecem latentes em minha mente até hoje. 
As poucas discusões que eu tive nos ultimos tempos não foram tão onerosas, na verdade, eu estou começando a gostar disso. Infelizmente, como possuo uma vida social restrita a poucas pessoas, não tive a oportunidade de discutir sobre religião com a frequencia que eu desejava, assim, me deu tempo de elaborar várias questões que eu pretendo colocar em minhas discusões futuras.
A experiencia de simular, em minha mente, uma conversa entre eu e um crente hipotético, também me foi um tanto quanto interessante.
Eis aqui conceitos e temas que eu busco propor numa discusão sobre religião. Não espere um "Manual como humilhar crentes", pois este não é o meu objetivo. O meu objetivo é criar condições para uma discusão que tenha o prazer em discutir sem que o arrependimento e lembraças amargas retornem a meu subsconsciente ao longo dos anos; memorias como "por que eu não falei isso para ele? Divia ter dito aquilo e não aquilo"...Enfim, coisas que fazem eu ter o desejo de ter uma maquina do tempo.


1º Conceito: Deus, uma criação humana.
Vc está naquela conversa informal entre conhecidos (não digo amigos por que eles são raros), e de repente, o assunto se volta aos olhos para religião. Então escuto as primeiras objeções a minha pessoa (são meus conhecidos, eles lembram de minha ingenua declaração quando eu tinha 16 anos: "eu sou ateu"), e eu, os surpreendo dizendo: "Bom, mas quem disse que eu não acredito em Deus? Ele existe, pois ele é uma criação humana". Assim, exponho minha primeira condição para o debate: "Minha unica condição para este debate é a reflexão deste argumento. Se não estiverem dispostos a meditar sobre ele, não prosseguirei com a discusão e as objeções futuras serão ignoradas: Zeus, Wilacocha, Odin foram deuses que eram reflexos dos povos que o criaram e imaginaram. Como pensar em Afrodite sem pensar, ao mesmo tempo, nos gregos? Enfim, por que com Jeová é diferente? Por que o Deus cristão é especial? O que o torna uma excessão?"
A unica vez que fiz essa pergunta foi a um contato. Fim de ano, ele me tinha me desejado uma boa aventurança aos braços de seu Deus. Eu começei, propositalmente, com a discusão...Ao fazer esta pergunta, ele me deu uma resposta no minimo insatisfatória. Não lembro muito bem o que ele respondeu, mas acho que foi algo como isto: "Por que ele é a palavra, foi mostrado ao homem, ele é o senhor, a verdade foi revelada...". Então respondi: "Good...Vc não respondeu a minha pergunta..."
Quando o crente se recusou a meditar sobre o argumento e responder minha pergunta a nossa discusão não foi muito longe.

2ºConceito: Metaforas
Uma pergunta que ainda não fiz a um crente: "Por que não interpretamos as passagens biblicas metaforicamente?". Ele talvez diga: "Está na Biblia, ela é a verdade". Tal afirmação revela uma estranha e irracional confiança a um livro que ele julga conter verdade absoluta e incorruptivel, quando, na verdade, foi extremamente modificado e mal interpretado por mãos humanas. Modificado mais por interesses humanos do que divinos, diga-se de passagem. Mudaram um trecho ali ou aqui para, ora justificar o comportamento do clero, ora para condenar um povo ou uma nação. Claro, não é só um materialista que está afirmando isso, mas os proprios teologos, com destaque Bart Ehrman, que depois de anos estudando o livro, percebeu contradições latentes nas passagens da biblia, como também, que o critério que os seus atores se propuseram a si mesmos foi de escrever o Novo Testamento em conformidade com o Antigo, mas não em conformidade com os fatos históricos.
Todavia, um teista anticlerical me faria a seguinte objeção: "Mas isso foi o trabalho dos homens que não souberam interpretar a palavra de Jesus. Jesus nunca seria a favor da Igreja e de tudo que fizeram na idade média"...Muito bem, até uns tempos para cá essa me parecia uma objeção bem razoavel, todavia, hoje eu proponho a seguinte resposta a esta objeção anti-clerical em prol do genio de Jesus: "Jesus foi uma metafora para tornar verosímil a nova religião que surgia. Sem ele o cristianismo não teria razão de ser. Os cristãos primitivos pricisavam de um martir, de um salvador para persuadirem as pessoas que ansiavam converter. Os que escreveram a biblia não estavam numa posição imparcial de simples escribas com o objetivo de redigir o que aconteceu. Esses cristãos primitivos já almejavam a potencia, como dizia Nietzsche, como também, o rompimento com a cultura a qual se originram. Usaram Jesus como pretexto e principal meio para este fim. Ou seja, os que criaram Jesus foram os padres do amanhã. Não haveria igrejas, templos, sacerdotes sem esta eloquente metafora de um salvador crucificado".

3º Conceito: Conceitos filosoficos
Uma proposta interessante, que eu irei aplicar nas futuras discusões, será deixar a pessoa a qual eu estou discutindo a par de alguns temas filosoficos relacionados (no caso de estar discutindo com uma pessoa simples e comum, que provavelmente, ignora ou pouco entende de filosofia).
Eu poderia fazer um "resumão":
"É muito interessante colocar aqui que os ideias cristãos já eram defendidos por Platão há pelomenos uns 400 anos antes do surgimento do cristianismo.  Ele que concebeu a idéia que deviamos renegar este mundo em prol de outro, um mundo supra-sensivel que ele chamou de mundo das ideias, aonde, ela é regida pelo bem, sendo o bem a causa-em-si. Em muito a filosofia platonica se assemelha com o ideal cristão, e por isso, os cristãos não tiveram dificuldade de cristianiza-lo. Platão, criou também o que chamamos de idealismo, concepção filosofica que diz que a idéia precede a existencia, ou seja, antes de você existir neste mundo, você era um ser imaterial, como as idéias. Depois de sua morte neste mundo você voltará a ter uma substancia imaterial. Seu corpo perecerá, mas seu espirito não. O idealismo prevaleceu por mais de 2 mil anos, até que, no século 18 surge uma nova escola filosofica: o empirismo. O empirismo se o opõe ao idealismo dizendo que não há ideias inatas, e quando nascemos, nossa mente é um livro em branco que será preenchido ao longo do tempo. O materialismo diz que a metafisica, o mundo supra-sensível e seu ambito, nada mais são do que uma miragem do mundo material. Como um espelho que reflete as coisas que vemos e as tranformam em fenomenos sobrenaturais e metafisicos, isto é, distorce as coisas que tocam os nossos sentidos e estão no terreno de nossas experiencias.
E é claro, não deixaria também de fazer algum comentário sobre conceitos estabelecidos por Nietzsche, conceitos que eu ja falei com atenção neste post: O mundo aos pés do padre
O existencialismo, diz que se existem principios a priori, se existe Deus, se existe mundo supra-terreno,  isso não interfere em nossa existencia. O mundo continua a existir mesmo com a existencia ou inexistencia dessas coisas...



4ºConceito: Beleza e podridão
Não é raro encontrar pessoas que dizem ser descrentes devido a fatores como: "Quando meu pai morreu, eu deixei de crer em Deus", ou até "Como pode existir Deus com tanta gente morrendo de fome?". E também não é raro teistas afirmarem que a beleza no mundo é uma prova mais do que convincente que Deus existe. Eu não creio que, ora a beleza, ora a podridão, sejam qualidades que corroborem com a existencia ou inexistencia de Deus. O argumento que defendem é este: "Há muita beleza no mundo, logo, Deus existe" e "Há muita violencia, guerras no mundo; logo, Deus não existe".
As premissas estabelecem as conclusões "Deus existe" e  "Deus não existe"?
Ao que concerne ao primeiro argumento, o teísta irá reconhecer que há guerras no mundo, mas elas só são provocadas por distorções que os homens fazem das palavras de Deus. Eu, diria que há muitos fatores materiais que levam paises a entrar em guerra, como também, por motivos pretensamente religiosos. Ao que concerne ao segundo grupo, se chega a inexistencia de Deus por causa da miséria, da fome, das guerras, e o argumento ainda reserva uma premissa oculta que diz: "Se Deus existir, ele é indiferente aos problemas na África, na Ásia e na America do Sul, em outras palavras, ele é indiferente ao nosso tormento, nosso sofrimento, e diz que nós devemos obedece-lo cegamente".
Em ambos os argumentos, estamos estabelecendo que qualidades instrisecas ao nosso mundo definem se Deus existe ou não. E aliás, qualidades como estas definem a existencia de alguma coisa? Arvores existem por que são belas? Arvores deixaram de existir por que são feias e comem a gente? Arvores existem pois tem uma missão, um fim? Eu não vejo nenhum meio lógico para estabelecer essas conclusões com estas premissas. Isso me lembra um episodio um tanto curioso, em que eu estava conversando com um pescador ancião, um nativo de minha cidade. Ele disse para mim que eu iria começar a acreditar em Deus depois de perder algum ente querido. Bom, então o argumento dele se reduz a isso: "Seu pai vai morrer, logo, você acreditará em Deus". Depois que meu pai morrer ele poderá dizer algo assim: "Se serve de consolo, Deus te ama".
Deus, neste caso, tem um carater de um mero consolo. Mas é claro, não poderia desprezar este consolo, pois ele é capaz de fazer muitas pessoas superarem crises existenciais e uma vida problematica cheia de vicios. Mas, no final, quem superou esses problemas foram elas mesmas, não foi Deus que as guiou neste caminho mas a "idéia de Deus", a idéia que deveriam ser, de alguma maneira, subservientes a um ser imaterial, que na verdade, não passa de um conceito criado por homens.

5ºConceito: Dogmatismo
As pessoas sempre viram as ideias religiosas como coisas benfazejas, mas eu, ao contrário, sempre vi como virtudes dogmáticas, que não admitem discusão e um livre intercambio de ideias. A ótica religiosa reduziu tudo a demoniaco ou divino. Tudo que é desconhecido é imediatamente batizado pelos véus obscuros do preconceito religioso. Sempre ouvi as pessoas elaborando frases no minimo contraditórias: "Eu respeito a sua crença, mas VOCÊ TEM QUE ACREDITAR EM JESUSSSSSS SEU FILHO DA PUTA, ARGHHHHHH!"
Lembro, que um conhecido meu tinha dito: "Voce vai para o inferno e vai sofrer...", me é peculiar como há hordas de individuos que ainda se persuadem com esta ideia de Deus punitivo e medieval. O que eu respondo para um sujeito desses? Apenas responderia: "É bom saber que você deseja um bom porvir para mim, mesmo que ele seje metafisico. Muito obrigado e tenha uma boa noite". 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O problema da musica - o mundo desconhecido

Eu já escrevi um artigo com tema similar antes no "Pequeno Ensaio sobre a Musica", todavia, o artigo que compartilho com vocês hoje é de carater mais pessoal e inspirado pela leitura de Adorno, filosofo alemão da Escola de Frankfurt que meditava sobre a musica e seus problemas.


A musica, para muitos, é uma mercadoria, e como tal, vive num mundo onde o novo pode se tornar obsoleto com extrema velocidade, e mais tarde, se tornar sensação novamente para depois se tornar obsoleto e assim por diante. É um ciclo e a Industria Cultural sobrevive por causa deste ciclo. É certo que ela produziu "generos" e "estilos" extremamente questionaveis para um ouvido atento, todavia, por que são tão populares? Oras, como já dito, a musica é uma mercadoria, então, as pessoas não estão focadas em ouvir musica, e sim, consumi-la. Se você ainda não está convencido que a musica que escutas foi reduzida ao patamar de mercadoria, é bom notar que as musicas fabricadas hoje em dia seguem padrões de fabricação, bem como "critérios de qualidade" estipulados pela Industria Musical. O processo de produção tem que ser rapido e facil, para facilitar a venda e ainda atingir um publico vasto já acostumado a ouvir e se entreter com os produtos que a Industria Musical fabrica. As "novas sensações" que esta fomenta, como já dito, não passam de um reciclagem do que já foi feito, ou uma mutação de um estilo musical já existente, como o sertanejo que foi distorcido e violentado; e esta distorção foi chamada por símios ocientais de "Sertanejo universitário".

Mas não se desesperem meus caros, a "musica como mercadoria" é só uma infima e insignificante fração de um universo muito maior. Não é por que essa infima fração é a mais conhecida que significa que a musica se resume a isto. Não, meus caros...E o que existe além desta infima fração? Muitos morrerão sem fazer essa pergunta e sem ao menos ousar ultrapassar os limites estabelecidos pela Industria Musical, pois esta garante segurança e abrigo ante um mundo escuro e desconhecido que conhecemos como musica. Limitados a condição de vis consumidores, as pessoas não buscarão a contemplação, mas reduzirão as musicas a sapatos, a camisas, e a objetos.

Mas comigo foi diferente...

Mesmo vivendo num ambiente afastado do Mercado imposto pela Industria Musical, no sentindo de não consumir o que ela fabricava, eu estava limitado ao que os meus pais ouviam: MPB, Rock Classico e Rock Nacional.
Antes de conhecer o metal, já tinha curiosidade em conhecer algo mais pessado e apaixonante que Pink Floyd e Ratos de Porão. O metal me parecia um mundo supra-sensivel que não se podia conhecer e muito menos se pensar sobre ele.
O descobrimento do metal foi um choque, um fenomeno que me manteve perplexo por 6 meses. Tive que superar os dogmas do metal extremo para prosseguir em minha jornada, consciente que havia ainda muitas coisas para descobrir neste vasto universo e que tais dogmas seriam um verdadeiro obstaculo em minha jornada. Me aprofundei cada fez mais naquele mundo desconhecido, e então decobri musicas que eram pessoas, musicas que eram mundos inteiros...A impressão era que o compositor tinha criado um mundo novo do zero, como se as montanhas fossem melodias e as mudanças adruptas de tempo representassem as mais severas tempestades. Em outras palavras, a musica tinha se tornado um instrumento de contemplação e admiração do mundo ao meu redor...É ela a minha unica companheira quando ando pelas sebes, entre as arvores e entre os rios. Não me passa na minha cabeça que, um pagodeiro ao andar pelas sebes diga: "Porra, aqui seria um bom lugar para ouvir sorriso maroto"...Quer dizer, a proposta de tal grupo musical está muito longe da contemplação de um universo de arvores, rios, montanhas...O folk metal, no caso, foi feito inspirado na contemplação deste universo. A musica dentro do ambito estabelecido pelo mercado da Industria Musical se inspira num estilo de vida banal, que não inspira maiores coisas alem de conservar o falso romantismo e o tenaz impulso de consumir.

Ao digitar este vil artigo, deves estar pensando que eu sou um homem que sempre buscou transpor limites dentro do universo musical, não? Aliás, é esta a virtude que propus. Mas não estaria, eu, preso numa limitação que eu proprio estabeleci, e sob a qual, não tenho consciencia dela? Seria eu um homem fechado e pouco eclético como dizem? Bom, deixo essas perguntas no ar a titulo de redigir um final que pareça épico e poético, já que nós, escritores incopetentes e vagabundos, somos especialistas na arte de ludibriar o leitor com finais eloquentes e que propõem algumas questões pretensamente filosoficas.

Até breve e tenham um bom inverno!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O mundo aos pés do padre

"O que aconteceu nesses ultimos dois mil anos?" pergunta uma voz fraca, dificil de ouvir. Aqueles que tem algum bom senso ainda a conseguem ouvir em meio dos gritos de padres e sacerdotes que ecoam pelos milenios.

E ela continua: "O que aconteceu com a humanidade, que em outrora bebia e festejava e que agora é uma catedral do sofrimento? Chegou-se a negar esta vida em prol de uma vida que é meramente prometida pelos lapios nefasto de um padre. O que aconteceu?" 


Nietzsche nos mostra, no aforisma 49 do Anti-cristo, como o homem foi reduzido a vil condição de servo do padre: "É preciso tornar o homem infeliz, esta foi até agora a logica do padre. O pecado, a idéia de culpabilidade e de punição, toda a ordem moral foram inventadas contra a ciencia, contra a emancipação do homem nas mãos do padre. O homem não deve olhar para si mesmo, não deve ver as coisas com razão e prudencia para aprender, não deve ver absolutamente nada: deve sofrer e deve sofrer de modo a ter sempre necessidade do padre". 
A propria metafora da maçã da arvore proibida, (compreendendo a biblia como uma fabula repleta de metaforas) é uma metafora que revala o carater anti-cientifico da religião cristã. Nada ao homem é proibido alem da ciencia e o conhecimento. Do homem buscar a ciencia é que ele mereceu o sofrimento eterno na terra e ainda teve que provar para Deus que ele era "bom" e "obediente".

O aforisma 26 do mesmo livro se foca mais profundamente nesta questão do padre...Ali ele coloca algo que achei deveras intrigante que é uma coisa que só acontece quando temos uma unica visão de mundo e esta visão de mundo é a visão cristã de mundo. O cristianismo mediu os povos e as epocas de acordo que foram uteis ou que resistiram a corrupção sacerdotal. Os povos e as epocas foram, por muito tempo, julgados por essa máxima extremamente reducionista...Eis uma grande fatalidade que acometeu o mundo.

Outra coisa que ele coloca que é bem peculiar é a vontade de Deus como sendo a mesma coisa que a vontade do padre. Quero dizer, que a classe sacerdotal usou essa pretensa vontade divina como pretexto de seus interesses e de sua prosperidade durante os milênios. Era também, é claro, para saciar a vontade de Deus, que o padre se torna-se necessário em qual quer lugar e em qual quer canto. Desde de para oficializar casamentos e até para ser mediador de enterros e funerais. O padre estava no começo, no meio e no final da vida de cada individuo. O clero reinava e gozava de sua onipresença. Não interpretemos uma heresia como uma profanação a palavra de Deus, mas antes, um protesto contra tudo aquilo que deprecia a vida e a reduz a um mero "estágio" para outro lugar...

Como chegamos a conclusão que o homem é impio e tudo que é natural idem? Não foi por vias racionais, acredito. Não há motivos suficientes para negar as paixões e os desejos. Nietzsche demonstra, ao longo de suas obras, que o pecado, a falta, foram meios que o padre encontrou para atingir a potencia. É um erro pensar que a igreja lutou contra pecado...Na verdade, o padre sempre precisou do pecado.

E como era a humanidade antes dessa grande corrupção que conhecemos como cristianismo? Bom, Nietzsche diz que havia uma sociedade dionisiaca em que até a dor era sagrada:
"Fui o primeiro que pela compreensão desse antigo instinto grego, rico e até exuberante, tomei a sério aquele maravilhoso fenomeno que leva o nome de Dionisio. Apenas na psicologia do estado dioniasiaco se manifesta o fato fundamental do instinto helenico: sua vontade de viver. O que o heleno garantia a si mesmo com o estado dionisiaco? A vida eterna, o eterno retorno á vida, o porvir prometido e santificado no passado, a afirmação da vida sobre a morte, a vida exaltada pela procriação, mediante os mistérios da sexualidade. Por isso, o simbolo sexual era para os gregos o signo veneravel por excelencia, o verdadeiro sentido profundo de todo o orgulho antigo. As particularidades do ato da geração, da gravidez, do nascimento, despertavam neles pensamentos elevados e solenes. Na ciencia dos mistérios, a dor é santificada; o esforço do parto torna a dor sagrada; tudo o que é devir e crescimento, tudo o que garante o porvir requer dor. Para que exista a alegria eterna da criação, para que a vontade de viver se afirme eternamente por si mesma, é necessário também que existam as dores do parto. A palavra Dionisio significa tudo isso. Não conheço simbolismo mais elevado que esse simbolismo grego das festas dionisiacas" (Crepusculos dos Idolos, O que devo aos antigos, af.4).


O problema que coloco aqui é que só sobrou ao homem - aquele que foi domesticado pelo cristianismo - sofrer e nada mais do que isso, quer dizer, sofrer e obedecer milhares de restrições diferentes. E onde tudo isso começou? Como o cristianismo pode ter prosperado no mundo romano, um povo que era a continuação natural da cultura helenica? Nietzsche nos surpreende de novo dizendo que Roma continuaria a existir por mais mil anos se não fosse o cristianismo, e ainda diz que o cristianismo é basicamente a invenção e a idealização de dois homens, a saber São Paulo e Platão. Platão, criou o terreno aonde o cristianismo poderia agir e prosperar ao idealizar a dicotomia entre o mundo aparente e o mundo inteligivel. Não foi dificil para os cristãos "cristianizarem" a filosofia de platão, pois ela ja contia elementos muitos similares ao que o cristianismo pregava, desda da exaltação do ideal e de um mundo que não vemos e não podemos sentir. Em Platão, chegavamos a esse mundo supra-sensivel atraves do pensamento...Para o cristianismo, chegamos a um mundo supra-sensivel atraves de uma subordinação total e incondicional ao que a igreja chamou de "vontade de Deus", que como vimos anteriormente, era na verdade, a "vontade do padre".
Tanto em Platão quanto em São Paulo, a idéia é atingir um outro mundo com poucos eleitos. O mundo em que vivemos é uma ilusão, os sentidos nos iludem o tempo todo...Só há um unico mundo verdadeiro...O reino de Deus...Este reino que é estavel, absoluto, imutavel. Por essa idéia de negação deste mundo para um outro, que não é instavel com este, é que Nietzsche, com muita propriedade, diz que o cristianismo representou uma profanação a inocencia do devir; em suma, de tudo que muda e que se transforma.
Nietszche ousa, mais uma vez...Declara que o cristianismo foi praticamente uma invenção de São Paulo, que movido por um ódio e um ressentimento hiperbolico, concebeu esta nova religião. Esta religião que se levanta em prol dos pobres e oprimidos e quer subjugar a ordem estabelecida...Divergindo da tradicional visão aristocrática de Nietzsche, acredito que apoiar e exaltar os pobres foi outro meio que o padre encontrou para chegar ao poder, já que ele tinha o numero e apoio de uma horda de pessoas. Não é claro, que o padre tivesse algum apreço pelos camponeses e plebeus, mas por que precisava deles para se glorificar. (Se você quiser ver mais sobre essa visão "elitista" de nietzsche, veja neste post).

Para finalizar esse post e não me alongar muito, me limito a dizer que estas foram as minhas considerações acumuladas nestes dias de estudo e leitura dos textos de Nietzsche, aonde li e reli várias vezes os livros o Anti-cristo e o Crepusculo dos Idolos. Claro, não me limitei a ler só Nietszche, li também Kant, Descartes, e Sartre, mas ainda não é oportuno escrever e dissertar sobre eles aqui.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Death - Individual Thought Patterns

Eu tinha prometido a resenha do Symbolic, todavia, este album me inspirou mais nestes ultimos dias.


O individual é um album carregado por questões filosoficas, com letras contemplativas e intrigantes. Um album com um carater existencialista eu diria...Tudo no album me alegra...Me impressiona. Os riffs de jazz que deixam as musicas mais interessantes, como também o baixo e a bateria. Com riffs geniais de jazz contrascenando com excelentes passagens rapidas e extremas alem de letras profundas e filosoficas, o que nós temos? Uma obra de arte transcendental, no qual, nem o tempo é capaz de corroer.

Há melodias bonitas, que chegam até ser alegres, todavia, não deixa de decepcionar qual quer amante do Death Metal. É o que sempre digo: o que as bandas melodicas não conseguem fazer é melodias boas, que não sejam nocivas ao espirito. Não atinge seu unico intento, cujo o death metal, black metal e o folk conseguem fazer com uma naturalidade impressionante.

O album já começa com a excelente Overactive Imaginantion...A primeira vez que ouvi o primeiro riff, eu enlouqueci. Lembro que ouvia as tres primeiras musicas desse album quase todo dia. O primeiro riff é contagiante e me deixa extremamente feliz e contente em aprecia-lo. Se nesta musica dá para sentir o jazz, a In human form é praticamente um jazz mais pesado. Algo que você poderia ouvir num cafe de jazz/blues, todavia escuta no album do Death. Um jazz com pedal duplo? Bom pra caralho! Gosto muito do riff que parece ter vida propria e correr como um animal livre e solto pela minha mente em decomposição. Um riff bem jazz...O jazz tem um poder que me fascina.
Jealousy era a musica que eu ouvia sempre antes de ir a escola. Incentivo maior que esse não tinha, acredito. O baixo distorcido é uma coisa que fascina na musica...Dá uma atmosfera peculiar a ela...
O baixo no album inteiro é muito bom. Eu não tenho medo de dizer que esse album atingiu o virtuosismo, pois, o destaque vai para todos os intrumentos.
A nothing is everythin merece destaque por sua melodia erudita - se o jazz não fosse o bastante para tornar esta obra sublime.
Mentaly Blind é uma musica bonita, triste, soturna.
Individual Thought Patterns tem um fraseado de jazz bem alegre no meio da musica. O restante da musica é também muito interessante, diria...Com riffs que nos atingem como golpes de martelo. Frases de jazz tem esse poder...
A destiny é uma musica que me indentifiquei a pouco tempo. Em outrora, não tinha afinidade com essa faixa, todavia me fascinei como ela é bela...Ela começa com um arpeggio, então entra o riff pesado, sublime. O riff depois deste é lento e calmo. Até que o jazz possui a musica de uma forma supreendente. Peguei este riff. Ele não é rapido, ele não é tão complexo ou dificil, mas sublime...Schuldiner era muito filha da puta...Admiro a criatividade dele para criar algo tão forte a ponto de eu querer voltar a admirar a musica - que estava desprezando atualmente.


A  Out of Touch tem talvez uma das frases mais alegres. Lembra até uma melodia egipcia aquela porra...É dançante, hipnotizante...Faz bem para o espirito alegre e discontraido.

Para terminar o album com glória, nos temos a extraordinária Philosopher, que para mim, é a condenação, em forma de musica, ao idealismo extremado de Platão e outros idealistas. Não preciso dizer é claro que a instrumental está ao nivel das outras faixas do album e que quando a musica termina, nosso espirito se sente satisfeito de ter se realizado numa grande obra.

Donwload dessa grande obra

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pequeno ensaio sobre a musica

Vou compartilhar com o mundo a introdução deste meu trabalho q estou desenvolvendo...

Meu anseio era de desenvolver um juizo objetivo que tivesse validade dentro do mundo da musica. A musica tem uma verdade estável? Ela pode ser entendida por um juizo objetivo que compreenda sua totalidade?

Baseado nessas perguntas, eh que eu comecei a tecer este pequeno trabalho. Se não for possível estabelecer um juizo objetivo para julgar a musica, posso dizer que a importância deste trabalho esta em demonstrar que muitas pessoas não tem critério algum para julgar a musica. E o que isso significa? Significa que estas pessoas tem a forte tendencia de ouvir qual quer coisa que se apresenta a elas externamente sem se preocupar em meditar sobre as musicas que escuta. O trabalho visa também demonstrar como a musica foi desvalorizada aos longos dos anos e principalmente nesta ultima década. Nao posso deixar também de demonstrar como cheguei a conclusão que a musica foi reduzida a mais impia mediocridade e como existem ainda músicos que a valorizam de alguma forma.


Posso definir uma pessoa apenas pela musica que ela escuta? Eu creio que sim. Outra pergunta que aflita a muito tempo: o que leva alguém a ouvir musicas tao baixas e banais como sertanejo e pagode?
Por que isso envolve as pessoas? A indiferença total pelo trabalho de grandes músicos que deram a vida pela musica também me intriga profundamente. O que é a musica? Algo que você coloca como trilha sonora para churrasco? Como trilha sonora para um vil ritual de acasalamento numa balada? Se a musica fosse isso músicos de todo o mundo poderiam compor apenas musicas para churrasco e balada, mas sabemos que isso não ocorre...
É preciso antes dar um sentindo, um significado a musica. A desvalorização da musica ocorre quando não me preocupo em conceber um sentido para ela. A musica eh uma forma de nos expressarmos no mundo, quer dizer, nos expressamos no mundo enquanto existimos, o que sugere que a musica seja a expressão do ser enquanto ser. Sendo assim, posso definir um homem e conhece-lo apenas pela musica que escutas.

Se fundarmos um conceito universal que tenha validade na musica e este conceito focase na intrumental ao invez de rostos bonitos e letras pateticamente sentimentais, desconsiderariamos muitas coisas que considerava-mos, até aqui, como musica. Seria uma verdadeira funil, se é que você me entende...Só sobraria o que realmente podemos chamar de musica, aquela que é benfazeja aos ouvidos e alma ao invez de corrompe-la. A legitimidade deste conceito, deste critério universal para julgar a musica, nos garante também a legitimidade da musica em si.

Minha proposta é que o nosso modo de conceber e julgar a musica deva se regular por um critério simples: a instrumental. Esse critério requer que eduquemos nossos sentidos para perceber o baixo, o vocal, o violino, a guitarra. Então, o que seria uma musica boa? Aquela que possui uma boa instrumental. O que é uma boa instrumental? A boa instrumental não é necessariamente complexa, mas sim, bem construida. Desde daquele solo de baixo que nos supreende até o solo mais inacreditavel ou simples, a instrumental é a essencia da musica. Poucos estilos - alem do Metal e do Jazz - me surpreenderam no que concerne a instrumental que é peculiar a estes estilos. Isso já é um fato importante para começar este trabalho.
Alguns estilos não tem nenhuma instrumental e não visam a virtuosidade. São essencialmente toscos e vulgares. Chegam até a desprezar a instrumental adicionando um sintetizador ou um vocal qualquer. São vazios. Não levam a experiencias transcendentais...Não inspiram, não proporcionam experiencias indiziveis e maravilhosas. Não enriquecem a nossa mente e nosso expirito.
A musica que não me estimula, não proporciona experiencias sublimes, não é uma musica que deva ser considerada.  Essa é um das grandes virtudes que eu compactuo. Se não é uma virtude sua, creio que jamais me compreenderia.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A vitória dos indignados - a visão elitista de Nietzsche


Meu irmão, tinha dito certa vez, que apos ler um artigo de Nietzsche, tinha convicção que ele era um anarquista. Embora seja possível fazer uma analogia entre o pensamento de Bakunin (anarquista russo do século XIX) e de Nietzsche no que diz respeito a visão que ambos tinham da religião cristã, o ideário politico de ambos entra declaradamente contraditório.

Primeiro por que Nietzsche era declaradamente elitista e para ele os anarquistas e socialistas estavam no mesmo patamar dos cristãos enquanto defensores dos fracos e oprimidos. O socialista representava a casta da indignação e a indignação é indecente, pois, segundo Nietzsche levou o fraco a se vingar do forte e por fim a subjugar o forte, corromper o forte. O cristianismo pode ser interpretado como a vitória dos fracos sobre os fortes. E de que forma os fracos triunfaram sobre os fortes? Os fracos o corromperam com a imposição de sua moral...Eis o por que Nietzsche julga - com razão - a moral como uma grande corrupção milenar da humanidade.

O aforisma 57 do Anti-cristo (aforisma pelo qual eu me foquei bastante para escrever este post) exemplifica a visão elitista de Nietzsche: "O que é que eu odeio mais entre a escoria dos nossos dias? A escória socialista, os apóstolos do chandala que minam o instinto, o prazer, o contentamento do operário que leva uma vida humilde - que tornam o operário invejoso e lhe ensinam a vingança". Em outras palavras, Nietzsche acusa os intelectuais socialistas de corromperam os operários que antes viviam com respeito as convenções sociais impostas pela aristocracia. Temos é claro que entender o momento histórico de Nietzsche e Bakunin: a Europa era dominada pelos burgueses e ainda as condições de trabalho nas industrias eram horrendas. Nietzsche então tem a ousadia de me dizer que o operário, que ganhava porra nenhuma e ainda trabalhava pra caralho não podia se revoltar contra a instituição que o escravizava, e como justificativa para aceitar o seu trabalho escravista Nietzsche não poderia recorrer a divindade, dizendo que o operário deveria obedecer seus superiores por que seus superiores - desde dos dirigentes do estado aos dirigentes das fabricas - eram inspirados pela força divina para comandar os operários...Então o que justificaria a subordinação operária ao patrão, se Nietzsche considerava até os valores liberais como sendo sintomas de fraqueza? Para Nietzsche é preciso que o operário obedeça o seu superior, que o operário tenha respeito pelas convenções sociais estabelecidas pela aristocracia. Mas pera ai...Não foi a moral que justificou o poder da aristocracia sobre os operários? Nietzsche não é imoral? É possível conciliar sua visão elitista com seu ideário imoralista? Eu duvido muito.


Para surpresa de muitos (inclusive de meu amigo, Dave, o matemático) é possível encontrar semelhanças entre Nietzsche e Bakunin enquanto a critica que os dois faziam sobre o cristianismo. Uma vez que eu tinha citado um artigo de Nietzsche a Dave ele tinha achado que era de autoria de Bakunin. 

Os dois concordam que o cristianismo pode prosperar graças ao Império Romano que tinha acabado com os rituais nacionais e regionais na Europa. "Sobre a ruína de centenas de ritos nacionais é que o cristianismo pode prosperar como religião universal e internacional" declarou Bakunin em Deus e o Estado. 

No aforisma 37 do anti-cristo, Nietzsche declara: "O cristianismo absorveu em si dogmas e ritos de todos os cultos subterrâneos do Império Romano, o absurdo de todas as especies de doenças mentais"

As semelhanças entre ambos acaba aqui. Ambos compartilhavam uma ideologia anticlerical e imoral, todavia, o ideário politico destes personagens, volto a repetir, era dispare. Enquanto Nietzsche via no Império Russo um exemplo de sociedade, Bakunin já denunciava o autoritarismo Marxista e já tinha previsto o que aconteceria com a Revolução Russa e outras revoluções socialistas que ocorreriam há quase meio seculo depois de sua morte. Para ele não fazia sentindo fazer uma revolução para instalar um novo estado, pois este estado, mesmo sendo governado por operários, se converteria num despotismo, numa ditadura opressora, pois os operários de outrora seriam os déspotas do amanhã. E isso realmente aconteceu, meus caros. A história nos mostrou que Bakunin tinha razão sobre o que seriam as experiencias revolucionárias inspiradas pelas idéias marxistas. Eu falarei mais sobre Bakunin em outro post, me limitei aqui a fazer a minha analise de um dos aforismas do anticristo que mais me intrigara. Aliás, aconselho a qual quer um a ler o Anti-cristo de Nietzsche e o Deus e o Estado de Bakunin. Outro livro de Nietzsche que é obrigatório ler é o Crepusculo dos Ídolos, o livro que pode servir como uma sintese, um resumo de toda a filosofia de Nietzsche exposta em seus livros anteriores. Foi lendo este livro com mais atenção que eu achei a resposta para uma das minhas perguntas que mais me intrigavam em Nietzsche: "A moral é a negação da vida, mas por que ela é a negação da vida?". A resposta você verá em outro post...
Até lá, eu só tenho a dizer o seguinte: "Sim, eu li crepúsculo...Crepúsculo dos Ídolos!". Como seria uma juventude que se apega-se a um livro de filosofia ao invés de se identificar cada vez mais com romances cada vez piores? Com essa super-valorização dos valores românticos e moralistas, eu creio que é necessário a transmutação de todos os valores, assim como propunha Nietzsche.