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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Materialismo histórico, C. Lewis, e uma possivel aula

Se um dia tiver seres desafortunados que serão meus alunos e pupilos, pensei em utilizar, um argumento que eu extraí do livro "A Lógica dos Verdadeiros Argumentos" de Alec Fisher. Este livro, ou "Livro Verde" como eu gosto de chamar, me ensinou um pouco que eu sei de lógica básica, e filosofia da ciência...Eu ainda estudo formas e possibilidades de utilizar essa fonte em sala de aula, já que ele trabalha como uma série de argumentos, que vão desde do argumento Malthusiano, argumentos sobre a Guerra Fria, até argumentos mais complexos. Ele é um compilado de argumentos e meio que força você a estudar melhor os textos e as preposições. 


No final deste livro, tem um argumento que eu li, e admito, que me causou um certo desafio...Em verdade, fiquei um bom tempo refletindo sobre ele...É um argumento utilizado por C.S Lewis, em sua obra "Milagres". É um argumento contra a impossibilidade do universo ser regido por causas e razões irracionais e aleatórias, isto é, um argumento contra o naturalismo:


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Cronicas de uma sala de aula

Primeiro dia de aula, do primeiro ano do ensino médio duma escola qualquer. Um jovem extravagante, de cabelos longos com cavanhaque cobrindo o queixo, entra na sala de aula e senta na carteira do professor. O volume das conversas paralelas começa a diminuir aos poucos, até que o silencio volta a reinar naquela sala quando aquele jovem dá três suaves batidas em sua mesa. 

"Meu nome é Artur Stinghen Barz" disse ele, "e eu lecionarei para vocês Historia, mas creio que 'Filosofia da História' seja um nome mais fidedigno a matéria a qual vou passar, ou melhor, tentar passar para vocês".
Ele pausa um pouco e continua o seu monologo:

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A vitória dos indignados - a visão elitista de Nietzsche


Meu irmão, tinha dito certa vez, que apos ler um artigo de Nietzsche, tinha convicção que ele era um anarquista. Embora seja possível fazer uma analogia entre o pensamento de Bakunin (anarquista russo do século XIX) e de Nietzsche no que diz respeito a visão que ambos tinham da religião cristã, o ideário politico de ambos entra declaradamente contraditório.

Primeiro por que Nietzsche era declaradamente elitista e para ele os anarquistas e socialistas estavam no mesmo patamar dos cristãos enquanto defensores dos fracos e oprimidos. O socialista representava a casta da indignação e a indignação é indecente, pois, segundo Nietzsche levou o fraco a se vingar do forte e por fim a subjugar o forte, corromper o forte. O cristianismo pode ser interpretado como a vitória dos fracos sobre os fortes. E de que forma os fracos triunfaram sobre os fortes? Os fracos o corromperam com a imposição de sua moral...Eis o por que Nietzsche julga - com razão - a moral como uma grande corrupção milenar da humanidade.

O aforisma 57 do Anti-cristo (aforisma pelo qual eu me foquei bastante para escrever este post) exemplifica a visão elitista de Nietzsche: "O que é que eu odeio mais entre a escoria dos nossos dias? A escória socialista, os apóstolos do chandala que minam o instinto, o prazer, o contentamento do operário que leva uma vida humilde - que tornam o operário invejoso e lhe ensinam a vingança". Em outras palavras, Nietzsche acusa os intelectuais socialistas de corromperam os operários que antes viviam com respeito as convenções sociais impostas pela aristocracia. Temos é claro que entender o momento histórico de Nietzsche e Bakunin: a Europa era dominada pelos burgueses e ainda as condições de trabalho nas industrias eram horrendas. Nietzsche então tem a ousadia de me dizer que o operário, que ganhava porra nenhuma e ainda trabalhava pra caralho não podia se revoltar contra a instituição que o escravizava, e como justificativa para aceitar o seu trabalho escravista Nietzsche não poderia recorrer a divindade, dizendo que o operário deveria obedecer seus superiores por que seus superiores - desde dos dirigentes do estado aos dirigentes das fabricas - eram inspirados pela força divina para comandar os operários...Então o que justificaria a subordinação operária ao patrão, se Nietzsche considerava até os valores liberais como sendo sintomas de fraqueza? Para Nietzsche é preciso que o operário obedeça o seu superior, que o operário tenha respeito pelas convenções sociais estabelecidas pela aristocracia. Mas pera ai...Não foi a moral que justificou o poder da aristocracia sobre os operários? Nietzsche não é imoral? É possível conciliar sua visão elitista com seu ideário imoralista? Eu duvido muito.


Para surpresa de muitos (inclusive de meu amigo, Dave, o matemático) é possível encontrar semelhanças entre Nietzsche e Bakunin enquanto a critica que os dois faziam sobre o cristianismo. Uma vez que eu tinha citado um artigo de Nietzsche a Dave ele tinha achado que era de autoria de Bakunin. 

Os dois concordam que o cristianismo pode prosperar graças ao Império Romano que tinha acabado com os rituais nacionais e regionais na Europa. "Sobre a ruína de centenas de ritos nacionais é que o cristianismo pode prosperar como religião universal e internacional" declarou Bakunin em Deus e o Estado. 

No aforisma 37 do anti-cristo, Nietzsche declara: "O cristianismo absorveu em si dogmas e ritos de todos os cultos subterrâneos do Império Romano, o absurdo de todas as especies de doenças mentais". 

As semelhanças entre ambos acaba aqui. Ambos compartilhavam uma ideologia anticlerical e imoral, todavia, o ideário politico destes personagens, volto a repetir, era dispare. Enquanto Nietzsche via no Império Russo um exemplo de sociedade, Bakunin já denunciava o autoritarismo Marxista e já tinha previsto o que aconteceria com a Revolução Russa e outras revoluções socialistas que ocorreriam há quase meio seculo depois de sua morte. Para ele não fazia sentindo fazer uma revolução para instalar um novo estado, pois este estado, mesmo sendo governado por operários, se converteria num despotismo, numa ditadura opressora, pois os operários de outrora seriam os déspotas do amanhã. E isso realmente aconteceu, meus caros. A história nos mostrou que Bakunin tinha razão sobre o que seriam as experiencias revolucionárias inspiradas pelas idéias marxistas. Eu falarei mais sobre Bakunin em outro post, me limitei aqui a fazer a minha analise de um dos aforismas do anticristo que mais me intrigara. Aliás, aconselho a qual quer um a ler o Anti-cristo de Nietzsche e o Deus e o Estado de Bakunin. Outro livro de Nietzsche que é obrigatório ler é o Crepusculo dos Ídolos, o livro que pode servir como uma sintese, um resumo de toda a filosofia de Nietzsche exposta em seus livros anteriores. Foi lendo este livro com mais atenção que eu achei a resposta para uma das minhas perguntas que mais me intrigavam em Nietzsche: "A moral é a negação da vida, mas por que ela é a negação da vida?". A resposta você verá em outro post...
Até lá, eu só tenho a dizer o seguinte: "Sim, eu li crepúsculo...Crepúsculo dos Ídolos!". Como seria uma juventude que se apega-se a um livro de filosofia ao invés de se identificar cada vez mais com romances cada vez piores? Com essa super-valorização dos valores românticos e moralistas, eu creio que é necessário a transmutação de todos os valores, assim como propunha Nietzsche.  

domingo, 16 de outubro de 2011

A história se repete II


Alemanha e Rússia - no epilogo da Guerra dos 7 Anos e da Primeira Guerra Mundial

A Guerra dos 7 anos foi a primeira guerra de caráter mundial...Foi um conflito entre as potencias daquela época e seus principais intervientes foram quase os mesmos em ambos os conflitos - só as alianças que foram diferentes. Inglaterra e Prússia de um lado; França, Áustria e Rússia de outro. 
Os austríacos ansiavam pela Silésia, território no sudoeste da atual Polonia. Era de interesse dos Britanicos entrar no conflito ao lado dos Alemães, pois disputavam com a França e a Espanha o domínio das colonias e o controle dos mares e do comércio. Vamos ver muito na história moderna esses três paises sempre disputando terras e colonias. Foram por muito tempo imperialistas compulsivos. 
Vou me ater a duas personalidades fortes neste conflito: a Czarina Elisabeth e o rei Federico II. 
Elisabeth fez de tudo para extermina-lo...Queria derrotar o império germânico de qual quer forma. Queria literalmente fode-lo. Federico, no final da guerra, estava em apuros...Seu exército já estava enfraquecido, as baixas começavam a pesar sobre os ombros de Federico e a derrota parecia inevitável. Então ocorreu um fato muito inesperado e até chegava a ser inacreditável. Primeiro veio a morte da Czarina que tanto o desprezava. O seu herdeiro e sucessor, Pedro III, ao contrário da Czarina, era admirador de Federico e da Prússia - talvez por que cresceu lá. Pedro não só fez um cessar fogo com a Prussia, como também contribuiu com Federico mandando reforços para expulsar os austriacos da Silésia. Resultado: Federico podia se focar apenas na luta contra os franceses e austríacos, já que, a Russia tinha saido do conflito e ainda estava disposta a contribuir com a Prússia.  Os austriacos sem a ajuda dos russos, perderam a batalha na Silésia e esta por sua vez, continuou território prussiano por longos anos...



O final da primeira guerra mundial ocorreu algo similar: tanto o governo czarista como o governo provisório insistiram em manter a Russia na guerra. Então, em 1917, o recente governo bolchevique tinha assinado o armistício com o império Germânico meses antes de sua derrota. No tratado de Brest Litovski, a Alemanha tinha ficado com as nações balticas, a Polonia e Ucrania. Por um curto periodo de tempo essas nações pertenceram ao Império Alemão, até que com a derrota do mesmo, se tornaram independentes. A polonia ficou independente até a segunda guerra mundial, enquanto boa parte da Ucrania, Belarus e os paises bálticos foram anexados pela União Soviética. Todo o território Ucraniano e Bielorusso so seria anexado pela União Soviética na invasão da Polônia e reanexado novamente depois de sua vitória na Segunda guerra mundial. 



A história se repetiu: Alemanha e a Russia fazendo acordos bem no epilogo de dois conflitos distintos. O primeiro evento foi mais favorável tanto para a Russia quanto para a Alemanha, já o fim da primeira guerra significou miséria e sofrimento para ambos. Ambos paises passaram por uma situação lamentavel depois da primeira guerra. A Russia já estava passando fome há muito tempo antes da primeira guerra e a Alemanha só conheceu a miséria graças as severas punições e restrições impostas pelo tratado de Versalhes.
E como os dois países sairiam deste empasse depois da vergonhosa derrota na Primeira guerra? Fazendo acordos entre eles mesmos, pois só um perdedor compreende o sofrimento e as necessidades de outro perdedor nesse mundo onde a história é contada pelos vencedores. O mundo colocou ambos países num isolamento, num exílio econômico. Só o acordo entre os dois poderia romper com este isolamento e este acordo não só se converteu num interesse de ambos, como também uma necessidade.

Russos e Alemães são dois povos que sempre colaboraram e lutaram entre si. São duas nações que devem se conhecer muito bem, eu creio. 

A história se repete I

Aqui vou divulgar a vocês dois fatos que se repetiram com uma estranha peculiaridade na história. 
Devo considerar que eu descobri a proximidade destes eventos bem recentemente - eis o motivo de me interessar por história: Você nunca sabe quando vai se surpreender, já que ela é uma grande teia de acontecimentos que se relacionam entre si, basta apenas descobrir quais são esses eventos. 

As reformas econômicas de Obama e o prelúdio da revolução francesa.


Obama propôs, afim de pagar a divida exorbitante que os EUA acumularam nesses últimos anos, o aumento dos impostos para os ricos. Os republicanos reagiram a esta proposta como uma afronta, pois para eles é mais conveniente ver o seu próprio pais mergulhando numa crise irreversível do que tirar um centavo de um milionário. Isso não é difícil de entender...Faça os ricos serem uma classe mais privilegiada do que já são e ainda os conceda o direito de isenção tributária. Os que salvaram o pais são os miseráveis e o resto da população. A proposta republicana foi bem eloquente - reduzir as despesas de planos sociais (que ja são quase inexistentes) para pagar a divida. 

Vos digo então que na verdade os republicanos estão repetindo a mesma atitude adotada pelos nobres e clérigos da França pré-revolucionária. 

A frança do final do século XVIII era similar aos Estados Unidos atualmente, só que mais fodida. O ano de 1788 foi um ano de fome para milhões de franceses. A seca daquele ano tinha sido severa, o que fez os preços dos alimentos subirem violentamente. Calonne, o então ministro naquela época, convocou uma reunião entre os nobres e os clérigos, que ficou conhecida como a Assembleia dos Notáveis. 
Nesta assembleia, Calonne propôs que a aristocracia francesa se abdicasse de seus privilégios tributários e começassem a pagar impostos para salvar a estuprada França do abismo, da falência inevitável.
Qual foi a reação dos nobres e clérigos? É claro que eles foram bem receptivos, para dizer o minimo...Um padre não queria perder um centavo sequer de toda a fortuna que tinha acumulado com a inquisição, embora um religioso, segundo os clérigos, não podia se atrair por bens "mundanos". Os nobres também não queriam abrir mão de seus privilégios. Em outras palavras, como já dito anteriormente embora seja importante frisar, eles tiveram a mesma atitude dos republicanos. O que aconteceu? Um ano depois a bastilha era tomada pelos sans-cullotes!