Mostrando postagens com marcador politica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador politica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Steven Universo: Uma metáfora de emancipação e luta

É possível que eu não traga pautas originais a discussão, todavia, faz muito tempo que eu queria escrever um texto sobre Steven Universo e seu universo.

[Esse post contém spoilers. Se você não viu a série até a quinta temporada, leia por sua conta e risco].



1. As Crystal Gems - um movimento revolucionário

Entre muitas concepções possíveis em relação a este desenho, temos a perspectiva das Crystal Gems como um movimento revolucionário. As Crystal Gems, com seu núcleo original centrado nas personagens Garnet, Pérola e Ametista, constituem um movimento que representa a oposição radical de todos os valores e convenções sociais pré-estabelecidos em seu planeta natal, ou "Homeworld". Elas defendem idéias e visões de mundo iconoclastas, que desconstroem os valores autoritários e hierárquicos da tradição de seu planeta (o que também pode ser interpretado como uma alusão ás tradições opressoras em nosso mundo). 

domingo, 3 de maio de 2015

O primeiro e ultimo ensaio do ano: Auto conhecimento e os saberes de um vagal

Faz algum tempo que eu deixei este blog á sua própria sorte, pois o facebook me parecia uma plataforma muito mais atraente para expor meus pensamentos...Num entanto, chegou o momento que eu senti a vontade de compor, semear e colher um texto mais longo que necessitaria de um fundo azul escuro e de letras brancas. 
Sabendo que, de alguma forma, o conjunto dos conhecimentos e saberes que temos do mundo é raramente baseado em coisas que realmente estudamos com profundidade (afirmo isso sem me basear num estudo cuidadoso), eu queria escrever algo que me servi-se aos meus propósitos introspectivos: descobrir, na medida do possível, os limites de meus saberes, quais são os saberes mais refinados, e quais deles são mais obscuros que advém apenas de opiniões que aceitei do meio. 

Esse post servirá mais como uma referência para mim mesmo do que um ensaio, um artigo, ou uma publicação que tem a intenção de atingir algum público. 

sábado, 22 de junho de 2013

Minhas considerações sobre a pequena orgia de protestos...

Nos últimos dias o Brasil foi palco de protestos contra o aumento da passagem de ônibus, isso muitas pessoas sabem...O autoritarismo da PM, como também, sua incapacidade de dialogar com os manifestantes, fortaleceu este peculiar movimento. Estamos vivenciando um cenário bastante comum, revoltas que são reprimidas, o idealismo revolucionário que paira no ar, esperanças de um futuro aonde haja uma reforma radical em todas as instituições da sociedade...Mas a peculiaridade deste fenômeno está no fato de estar acontecendo em tempo real, e eu, como um aspirante a historiador, só estou acostumado a ver esses fenômenos quando leio os livros de história....Segundo os manifestantes, eles não protestam só contra o aumento da passagem, mas sim, contra muitas outras coisas as quais o povo brasileiro está sendo privado. A economia melhorou nos últimos anos e conseguiu ficar estável, mesmo com a crise, mas não se vê muitos retornos disto. Aqui eu vejo a história sendo escrita, e para meus netos que talvez estejam lendo isso no futuro, exponho as minhas preocupações e ressalvas.


O movimento, já está começando a crescer pelo país. Se outros segmentos da sociedade o aderirem, e pessoas de diferentes funções deste organismo social decidirem não trabalhar mais até verem melhorias nas instituições publicas, é bem provável que essa experiência cresça em proporções tão grandiosas que uma revolução seja inevitável...E se ela ocorrer na copa? E se ocorrer antes? Não tenho nenhuma censura a estes protestos, mas se é algo que merece minha censura é a revolução tratada como um fim em si mesmo, e parece que muitas pessoas reunidas nesse movimento compartilham com esta postura um tanto insensata. Considerar a revolução em si mesma é uma atitude perigosa, pois é uma atitude que não medita como serão os meios necessários para atingir os fins desejados depois que as ruínas da velha ordem já terem perecido, e novos problemas poderão ocorrer com o vácuo que o sistema deposto preenchia. Quer dizer, os fins já são conhecidos: melhorias na educação, na saúde, e maior segurança. Mas os meios para que estas coisas sejam possíveis são outros quinhentos. O que me preocupa mais ainda são aqueles que propõem meios drásticos e fatalistas para esses problemas. Há muitos entre nós que defende a pena de morte, acreditando que ela seja um meio de diminuir a violência, mas isso não diminui a criminalidade e não intimida psicopatas. Ele continuará matando, mesmo sabendo que pode ser morto, mas isso não vou me alongar muito neste tema, pois não é o objetivo deste post aborda-lo.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cinema no meio da floresta 5 - Argo

Vi um filme que não me chamara a atenção apenas por sua tensidade ou história, mas também pelas meditações que ele me sucitou. O tema do filme é bem simples: um agente da CIA, afim de tirar alguns refugiados americanos que estavam escondidos no consulado canadense em Teerã (depois que a embaixada ianque no Teerã foi ocupada por insuretos islamicos) faz um estranho plano para tirá-los de lá: ele inventa um filme falso, conseguindo o apoio de um produtor de verdade, utilizando um script para que o ardil fosse ainda mais convincente. E por ultimo, tentar convencer os revolucionários iranianos que os refugiados faziam parte da equipe de filmagem e que foram a Teerã para ver os sets de filmagem, e assim, voltar para seu pais de origem, o Canadá. Se Teerã era uma terra hostil para os ocidentais e principalmente para os ianques naquela epoca, não sei se é uma terra que seria receptiva aos mesmos hoje, tendo em consideração que as cenas que foram passadas em Teerã foram filmadas em Istambul devido ao forte conflito que ainda permanece entre as duas nações, e é claro, os EUA não tentariam filmar um filme em território iraniano de novo depois dessa dramatica experiencia (Ben Affleck não seria tão ousado).


 Affleck me surpreendeu por fazer um papel que Keanu Reabes faria (aquele do homem sério, pouco alegre, cheio de problemas a resolver, como Constatine por exemplo, ou o papel que ele faz com o advogado do diabo). O primeiro, diferente do segundo, não se destacou, até o momento, em fazer anti-herois, mas se saiu muito bem como um...É um homem com um fardo, não é o heroi feliz. Mas é um homem determinado a completar a missão. Eu não o reconheci com a barba e pela sua expressão fidedigna, então creio, que sua atuação foi acima da média.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Devaneio nos livros - Cesar Borgia, o Mafioso

O Principe, livro este que foi escrito nos ultimos anos de vida de Nicolau Maquiavel, conhecido como o marco bibliográfico da ciência politica (e não há considerações exageradas quanto a este fato), nos revela argumentos muito bons e máximas que, de fato, foram corroborados pela experiencia histórica. Se Sun Tzu escreveu um eficaz manual de como ser um comandante bem sucedido num campo de batalha, Maquiavel escreveu o manual de como ser um “bom governante” (sendo que tanto o governante quanto o comandante podem ser a mesma pessoa). Para Maquiavel, existe uma moral politica, que diferente da moral cristã, não condena os atos em si mesmos, considerando que um ato violento pode ser benéfico para uma nação/reino em determinado contexto...
Se tem alguém, que para Maquiavel, servia como modelo de governante, esse alguém era Cesár Borgia, filho do Papa Alexandre VI. Ao contrário de alguns príncipes, que mesmo tendo a sorte de terem nascido numa família real e a envergonharam por suas ações, Cesár Borgia sabia muito bem usar da influencia de seu pai, como também, poderia continuar a governar a Romanha, mesmo com a morte de seu progenitor e com a eleição de um papa que lhe fosse hostil. Na verdade, faltou muito pouco para que Cesár Borgia construi-se um grande império...Para Maquiavel, só um homem como Cesár Borgia seria capaz de unificar e governar a Italia.

sábado, 7 de julho de 2012

Half life 2



Dos jogos que eu joguei até o momento, o Half Life 2 é o melhor, não só pela jogabilidade e pelos graficos, mas também pelo contexto e pela história do jogo. A principio, o contexto do jogo é intrigante e complexo: o jogador é inserido num realidade anomala e estranho até para o personagem que ele controla...Somos inseridos numa Europa Oriental que ainda presencia materialmente os vestigios do dominio soviético e vive num totalitarismo, não empreendido por um governo comunista, mas por uma nação alienigena que tem um ditador fantoche na terra. O que é peculiar é que há uma variedade enorme de filmes, histórias, romances de ficção cientifica que se focam na invasão alienigena em si, já a historia do jogo não é sobre uma invasão alienigena, mas sim, a humanidade vivendo sobre o jugo de uma raça alienigena. A exploração deste conceito novo é que me chamou atenção.
A seguir, irei expor conceitos que tirei do jogo:

O governo ditadorial de Wallace Breen

Breen é o equivalente ao que foi Petain na França ocupada: um lider fantoche e colaboracionista, subjugado pela vontade e inteções das forças de ocupação. O governo de Breen é uma especie de facismo e possui todas as qualidades de um governo totalitário: repressão e censura férrea, supressão de qual quer demonstração de rebelião, alem da constante perseguição e tortura promovida contra os civis. No começo do jogo, podemos ver frequentemente pessoas sendo pressas, interrogadas, e até mortas pelos Metrocops. A unica diferença do governo totalitário de Breen com os outros que o antecederam no mundo é que ele é extremamente impopular. Eu não sei se ele tem alguma razão de existir sem o apoio popular...Os grandes totalitarismos eram governos extremamente populares, as pessoas idolatravam seus lideres despotas e facistas já que eles tinham colocado em suas mentes uma promessa de um grande futuro: a Europa dominada pelos Alemães e pelos Italianos, seus senhores por direito. Já na ditadura de Breen não há nenhum cidadão que simpatize com seu governo e ele só tem o apoio de suas forças coercitivas. Tendo só o apoio das forças coercitivas, ele contradiz o principio estabelecido por Gramsci que diz que um ditador, por mais que detenha o poder sobre os meios de repressão, não conseguirá, contudo, estabelecer uma hegemonia politica e cultural duradoura pois, ele poderia se valer de seu controle sobre as massas, visando colocar as pessoas contra os rebeldes. E, de fato, é isso que os ditadores fazem: dizem que os rebeldes são assissinos terroristas e a população inevitavelmente se volta contra aqueles que querem "liberta-los". É claro, Breen se vale dessa estratégia quando ele fala por televisores espalhados por toda a cidade, mensagens como: "Foi confirmado a aparição de um insureto. Seu personagem é sinonimo dos desejos mais obscuros do instinto, da ignorancia e da decadencia. Ele é um dos piores excessos do incidente em Black Mesa. Devo lembrá-los dos perigos do pensamento mágico". O que é peculiar é que essas mensagens não ocassionam os efeitos esperados: os cidadãos não são persuadidos pelas mensagens de Breen, o que indica que ele fracassou em estabelecer sua hegemonia cultural e sua aceitação entre os cidadãos.

A oposição aos instintos

Como pregado por Wallace Breen, o verdadeiro inimigo da humanidade não são os invasores extraterrestres, e sim, os instintos. Os combines tem, como suposto objetivo, auxiliar a humanidade a se unir ao resto do universo controlado por eles (ao que Breen chama de "Universal Union"), e para que isso seja possivel, é necessário suprimir os instintos, em especial, a reprodução, pois ela é particular dos seres primitivos e fracos. Este ideal se assemelha muito ao ideal ascetico, aquele que é tão difundido nas religiões, que estabelece a existencia de um outro mundo, como também, a negação deste e de tudo que lhe é inerente (paixões, desejos, volições, instintos...). A unica diferença é que o fim em si, estabelecido pela religião cristã, por exemplo, é o "Reino de Deus", e o fim de Breen é essa pretensa "união universal". Para piorar, Breen diz que sua doutrina é cientifica, quando mais se parece com uma doutrina religiosa e extremista que anseia suprimir a raça humana.


Os papeis se invertem

Com o fim do campo de supresão e o recente fechamento dos portais para o universo combine, agora a resistencia já possui uma vantagem: sua população tende agora a crescer e terá que eliminar o exército combine remanescente que ja não tem aonde ir e nem como receber mais reforços de seu mundo já que perderam contato com ele; mesmo assim, o exército combine continua superior no que se refere ao poder bélico, alem de um vasto contingente ainda remanescente. As forças transhumanas se encontram numa situação analoga do exército alemão, nos ultimos anos da Segunda Guerra Mundial: continuam a ser um exército forte, bem preparado, e que continuam lutando, e mesmo sofrendo amargas derrotas, eles também sabem impor contra-ataques e repressálias significativas. Mas é claro, ao contrário da situação em 1943, que tanto o exército Alemão quanto o exércio Vermelho estavam equiparados, a situação no jogo é diferente, pois, os exércitos combine, mesmo pela derrota que sofreram no final do episodio 2 (com o fechamento dos portais) continuam a ser uma força muito mais poderosa do que de seus oponentes: o exército da resistencia humana. É uma batalha entre um exército e um grupo de guerrilheiros, entre transhumanos e humanos. Como será o desfecho dessa batalha? E me pergunto, será que os combines também não estão ocupados tentando suprimir outras revoltas em outros planetas que eles controlam?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Um anti-ensaio de devaneios

"Enquanto as pessoas querem dinheiro e fama, a unica coisa que eu quero é atravessar um rio e desafiar a mim mesmo. Só a coragem pode me diferenciar dos outros"

AVISO: Então este post é non-sense. É propositalmente sem sentindo e sem pretensões. Não escrevi aqui uma síntese sobre a ontologia de Heidegger ou algum ensaio sobre novelas. Este espaço não é recomendado para padres, cavalos, rinocerontes e centauros comunistas.

Porra, tava procurando uma imagem para postar...Ta aí...

Eu tenho a ideia de construir uma banheira que ande a 60 km por hora e gaste 20km por litro. Isso não vai ficar restrito a minha mente insana. Não será mero delirio, se concretizará, escreva o que eu digo!

Quando me projetei no futuro, eu me vi, com 50 anos...Cabeludo, imoral, sem pudores, professor de filosofia...Um errante andarilho e vagabundo que usa uma bata medieval ou iria para a universidade só com bermuda ou roupão em minha banheira motorizada.

- Porra, meus caros, eu acordei hoje, vesti esse roupão...Sabe quando uma roupa fala com e você acaba indo na conversa da desgraçada? Quer dizer, o roupão e eu se tornamos bons amigos...Bom enfim, foda-se...


Outro anseio é viver em uma sociedade em três ilhas distantes e longinquais em São Francisco do Sul. Até conseguirmos sobreviver apenas da agricultura auto-sustentável, iremos expropriar da sociedade do consumo alguns de seus pertences - tal como alimento. 
Libertarei Itapoá das garras dos veranistas e devolverei a seu povo. Cambiju e a Barra do Saí serão bairros agrícolas e o Paessi será um bairro envolto por uma floresta de pinheiros. Há vantagens em ter esses bairros agrícolas tão próximos de uma zona urbana. Para competir com os produtos agricolas vindo de fora, barateava os preços da produção agrícola local. Resultado: todo o comercio local iria comprar produtos agrícolas locais e ainda trabalhariam nessas comunidades agricolas auto-gestoras pessoas de Itapoá mesmo! Seria uma cidade auto-sustentavel e não seria apenas um motel para os veranistas como ela é hoje. 

O vagabundo do peace and gore no enem

Era uma vez, um homem, que depois de dois anos de peregrinação pelo sul do país, decidiu finalmente tentar a sorte no Enem. Quando ia entrar na sala, ele tinha sido imediatamente censurado pelo fiscal.

- Antes de entrar o senhor deve mostrar o seu RG e o comprovante de ensalamento.
- Eu ja não tenho RG há pelo menos 3 anos e que aconteceu aqui, amigo, é que eu fui escolhido por esta sala. Essa sala me escolheu sem o consentimento de ninguém alem dela mesma - respondeu o eremita.
- Como senhor?
- Veja bem...A sala falou comigo, ela quer que eu entre dentro dela. Se uma mulher lhe tivesse o mesmo desejo, você recusaria?
- Bem, eu...
- Veja, esses alunos vão fazer a prova dentro do útero desta sala de aula. Depois de 5 meses que se passaram em 5 horas, nós nasceremos de novo por essa porta onde nós entramos...Doce porta...Nunca houve vagina tão interessante como essa...Feita de uma bela madeira - disse o eremita acariciando a madeira da porta - Ela gosta que eu a excite...Enfim, essa sala dará muitos filhos, mas poucos serão os verdadeiros eleitos...
- Certo, senhor...Sinto dizer que não poderá fazer a prova...
- Que triste, mas eu não vou contradizer a vontade dessa sala de aula.
- Se o senhor insistir, terei que pedir que se retire.
- Por que tanta formalidade? Só sou um simplório vagabundo.
- Não importa quem você seja, sem documento de ensalamento e RG você não fará a prova.
- O que importa não é a porta, mas essa sala pela qual me apaixonei, sabe? É nessa sala que tá o amor...Estava quase me esquecendo, eu trouxe comigo a minha tequila, você não sabe como foi dificil adquiri-la (depois de ficar 1 ano e 8 meses sem dinheiro nos bolsos ou nas mãos). Ela não é uma fonte de consulta, porem te deixa mais esperto e creio eu que você não irá impedir que um homem deguste de sua bebida num momento como este. 
- Não é permitido bebidas alcoolicas!
- Essa sala de aula não concorda com isso...
- Essas regras foram estipuladas pelo Ministério da educação e não por uma sala de aula que você acha que fala com o senhor.
- Bom, há os fiscais que você acha que existem e as universidades que você acha que levam a virtude. Eu me despeço da minha querida sala, você não mudou muito, caro Guilherme Heinz...
- Como sabe meu nome?
- Todos me conhecem como Tim Rover, mas você deve me conhecer pelo meu nome de batismo academico: Professor Pedro Augusto Oliveira, o "pedrão barbudo". Seu antigo professor de História. Eu lecionava também Filosofia na PUC...Bom, isso antes de eu me emancipar. Mas agora eu quero voltar a lecionar de outra forma, quase como um pregador...Eu só vim aqui rever a sala de aula pela qual eu lecionava no passado.
O fiscal tinha ficado atônito, em nenhum minuto tinha reconhecido seu ex professor.
- Boa prova, seres medíocres que viso moldar num futuro proximo - gritou o eremita antes de se retirar daquela Universidade. 

Para fechar este post com chave de latão enferrujado:
Um dia eu ia postar isto...

ou isto...




sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A vitória dos indignados - a visão elitista de Nietzsche


Meu irmão, tinha dito certa vez, que apos ler um artigo de Nietzsche, tinha convicção que ele era um anarquista. Embora seja possível fazer uma analogia entre o pensamento de Bakunin (anarquista russo do século XIX) e de Nietzsche no que diz respeito a visão que ambos tinham da religião cristã, o ideário politico de ambos entra declaradamente contraditório.

Primeiro por que Nietzsche era declaradamente elitista e para ele os anarquistas e socialistas estavam no mesmo patamar dos cristãos enquanto defensores dos fracos e oprimidos. O socialista representava a casta da indignação e a indignação é indecente, pois, segundo Nietzsche levou o fraco a se vingar do forte e por fim a subjugar o forte, corromper o forte. O cristianismo pode ser interpretado como a vitória dos fracos sobre os fortes. E de que forma os fracos triunfaram sobre os fortes? Os fracos o corromperam com a imposição de sua moral...Eis o por que Nietzsche julga - com razão - a moral como uma grande corrupção milenar da humanidade.

O aforisma 57 do Anti-cristo (aforisma pelo qual eu me foquei bastante para escrever este post) exemplifica a visão elitista de Nietzsche: "O que é que eu odeio mais entre a escoria dos nossos dias? A escória socialista, os apóstolos do chandala que minam o instinto, o prazer, o contentamento do operário que leva uma vida humilde - que tornam o operário invejoso e lhe ensinam a vingança". Em outras palavras, Nietzsche acusa os intelectuais socialistas de corromperam os operários que antes viviam com respeito as convenções sociais impostas pela aristocracia. Temos é claro que entender o momento histórico de Nietzsche e Bakunin: a Europa era dominada pelos burgueses e ainda as condições de trabalho nas industrias eram horrendas. Nietzsche então tem a ousadia de me dizer que o operário, que ganhava porra nenhuma e ainda trabalhava pra caralho não podia se revoltar contra a instituição que o escravizava, e como justificativa para aceitar o seu trabalho escravista Nietzsche não poderia recorrer a divindade, dizendo que o operário deveria obedecer seus superiores por que seus superiores - desde dos dirigentes do estado aos dirigentes das fabricas - eram inspirados pela força divina para comandar os operários...Então o que justificaria a subordinação operária ao patrão, se Nietzsche considerava até os valores liberais como sendo sintomas de fraqueza? Para Nietzsche é preciso que o operário obedeça o seu superior, que o operário tenha respeito pelas convenções sociais estabelecidas pela aristocracia. Mas pera ai...Não foi a moral que justificou o poder da aristocracia sobre os operários? Nietzsche não é imoral? É possível conciliar sua visão elitista com seu ideário imoralista? Eu duvido muito.


Para surpresa de muitos (inclusive de meu amigo, Dave, o matemático) é possível encontrar semelhanças entre Nietzsche e Bakunin enquanto a critica que os dois faziam sobre o cristianismo. Uma vez que eu tinha citado um artigo de Nietzsche a Dave ele tinha achado que era de autoria de Bakunin. 

Os dois concordam que o cristianismo pode prosperar graças ao Império Romano que tinha acabado com os rituais nacionais e regionais na Europa. "Sobre a ruína de centenas de ritos nacionais é que o cristianismo pode prosperar como religião universal e internacional" declarou Bakunin em Deus e o Estado. 

No aforisma 37 do anti-cristo, Nietzsche declara: "O cristianismo absorveu em si dogmas e ritos de todos os cultos subterrâneos do Império Romano, o absurdo de todas as especies de doenças mentais". 

As semelhanças entre ambos acaba aqui. Ambos compartilhavam uma ideologia anticlerical e imoral, todavia, o ideário politico destes personagens, volto a repetir, era dispare. Enquanto Nietzsche via no Império Russo um exemplo de sociedade, Bakunin já denunciava o autoritarismo Marxista e já tinha previsto o que aconteceria com a Revolução Russa e outras revoluções socialistas que ocorreriam há quase meio seculo depois de sua morte. Para ele não fazia sentindo fazer uma revolução para instalar um novo estado, pois este estado, mesmo sendo governado por operários, se converteria num despotismo, numa ditadura opressora, pois os operários de outrora seriam os déspotas do amanhã. E isso realmente aconteceu, meus caros. A história nos mostrou que Bakunin tinha razão sobre o que seriam as experiencias revolucionárias inspiradas pelas idéias marxistas. Eu falarei mais sobre Bakunin em outro post, me limitei aqui a fazer a minha analise de um dos aforismas do anticristo que mais me intrigara. Aliás, aconselho a qual quer um a ler o Anti-cristo de Nietzsche e o Deus e o Estado de Bakunin. Outro livro de Nietzsche que é obrigatório ler é o Crepusculo dos Ídolos, o livro que pode servir como uma sintese, um resumo de toda a filosofia de Nietzsche exposta em seus livros anteriores. Foi lendo este livro com mais atenção que eu achei a resposta para uma das minhas perguntas que mais me intrigavam em Nietzsche: "A moral é a negação da vida, mas por que ela é a negação da vida?". A resposta você verá em outro post...
Até lá, eu só tenho a dizer o seguinte: "Sim, eu li crepúsculo...Crepúsculo dos Ídolos!". Como seria uma juventude que se apega-se a um livro de filosofia ao invés de se identificar cada vez mais com romances cada vez piores? Com essa super-valorização dos valores românticos e moralistas, eu creio que é necessário a transmutação de todos os valores, assim como propunha Nietzsche.