quinta-feira, 9 de abril de 2020

Fim do blog

Olar para as pessoas que já acompanharam este site alguma vez. Quer dizer, eu não sei para quem estou escrevendo exatamente, pois este blog nunca causou um engajamento muito grande, ou uma audiencia mais ou menos constante (é só olhar para o numero de pessoas que seguem samerda). 


Este blog não tinha um direcionamento preciso e a frequencia das postagens diminuíram cada vez mais ao longo dos anos: eu manti esse blog mais ou menos ativo de 2011 até 2016, e fiquei pelo menos uns 3 anos sem postar, até que em 2019 eu postei apenas 3 posts. Eu já cogitei profissionalizar este blog, tentar postar com mais frequencia, mas em verdade, sempre estive longe de ser um influenciador ou um produtor de conteúdo competente (eu já pensei em tranformar isso aqui em um site sobre filmes, quando as minhas resenhas eram uma merda). Mas, para o meu amadorismo, consegui alguns feitos até que satisfatórios. Tem alguns post meus com 100 há 300 visualizações, e alguns textos postados eu posso usar no futuro como fontes históricas pessoais, de fontes que dirão quem eu era e quem eu fui.

Em verdade me desinteressei por este blog ao longo dos anos, principalmente por causa das redes sociais (se eu tivesse algum pensamento para ser compartilhado, eu compartilhava no meu facebook. Comecei a postar, neste blog, só textos longos demais para colocar num post de facebook). Ao longo destes ultimos dois anos, acumulei vários rascunhos de posts q eu ia postar aqui, mas que agora vou postar em um novo blog.

Minha intenção com este blog era postar coisas que eu achava inusitadas ou interessantes, como as histórias que eu imaginava quando escutava certas músicas ou álbuns inteiros. Como também, ser aquele texto de referencia para qual quer discussão que pudesse surgir no futuro (por exemplo, quando indagado sobre minha opinião acerca de um assunto x ou z, eu teria um texto inteiro em meu blog). Mas, em verdade, em já mudei muito desde de 2011 e creio que o este blog já não representa quem eu sou atualmente. Em 2011, bastava para mim cortar alguns galhos de um terreno baldio ao lado da minha casa, e fazer algumas quests no mato, para me considerar um "lenhador". O nome e o conceito já não combinam comigo (apesar de eu ficar muito orgulhoso com o design do blog, o melhor design q eu já fiz até o momento). Nesse blog você pode até encontrar pornografia, que eu não posso deletar, por que eu postei com uma conta antiga, a qual não tenho mais acesso.
Novamente, repito, esse blog ficará como uma fonte história se realmente eu for interessante o suficiente para se tornar objeto histórico de alguém.

As novas postagens, que eu ia postar neste ano, vocês poderão vê-las no meu novo blog: https://dravablog.blogspot.com/

Lá eu vou repostar alguns posts deste blog, bem como, produzir materiais novos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Steven Universo: Uma metáfora de emancipação e luta

É possível que eu não traga pautas originais a discussão, todavia, faz muito tempo que eu queria escrever um texto sobre Steven Universo e seu universo.

[Esse post contém spoilers. Se você não viu a série até a quinta temporada, leia por sua conta e risco].



1. As Crystal Gems - um movimento revolucionário

Entre muitas concepções possíveis em relação a este desenho, temos a perspectiva das Crystal Gems como um movimento revolucionário. As Crystal Gems, com seu núcleo original centrado nas personagens Garnet, Pérola e Ametista, constituem um movimento que representa a oposição radical de todos os valores e convenções sociais pré-estabelecidos em seu planeta natal, ou "Homeworld". Elas defendem idéias e visões de mundo iconoclastas, que desconstroem os valores autoritários e hierárquicos da tradição de seu planeta (o que também pode ser interpretado como uma alusão ás tradições opressoras em nosso mundo). 

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Gravity Falls: economia e sociedade


A base da antiga economia: Lenhadores e Mineradores

Um dos grupos sociais mais presentes dentro do universo de Gravity Falls são os lenhadores. Como é possível ver em vários episódios, os lenhadores tem uma intima relação com a história da cidade, sendo uma classe explorada e oprimida pelas elites locais (os Northwest). A própria Wendy é filha de um lenhador e constrói toda sua identidade dentro deste grupo especifico de trabalhadores. Creio que Alex Hirsch criou essa personagem, tendo como um dos objetivos, representar uma parte dessa classe trabalhadora presente na região do Oregon. 

Wendy Curdoroy, um exemplo de simbologia usada para representar os lenhadores: camisa listrada e chapéu característico.

Existe, porém, outro grupo de trabalhadores que não parecem existir mais em Gravity Falls: os mineradores. Podemos inferir, que a mineração era praticada em Gravity Falls no século XIX, e ela deixou de ser praticada, provavelmente pela extinção dos recursos minerais (ou até pelas estranhas anomalias apresentadas no lugar). Indícios desta atividade podem ser encontrados pelas minas abandonadas, apresentadas no episódio 18 da primeira temporada, quando Dipper, Mabel, Soos, Tivô Stan e o Velho McGucket, acessam as minas através de uma igreja abandonada no meio da floresta. 
Ao que parece, a construção de Gravity Falls está inserida num contexto histórico bem especifico: o da "Corrida do ouro", e da "Corrida do oeste", fenômenos responsáveis pela expansão dos territórios que hoje fazem parte da costa Oeste dos Estados Unidos, Califórnia e Oregon (também é conhecido a Rota do Oregon, que está relacionado com estes fenômenos). Gravity Falls pode ser mais uma cidade e vila que se ergueu por causa da corrida por minérios, e quando estes se esgotaram, ela provavelmente entrou em decadência, subsistindo outras atividades em seu lugar. 

Mesmo com o término desta atividade, a mineração continuou a fazer parte do imaginário e identidade locais, como é possível constatar a partir da bandeira hasteada pela insurreição organizada na cidade, nos episódios da trilogia do Weirdmaggedon. O simbolismo escolhido pelo grupo insurrecional é bem marcante, representando as antigas atividades econômicas da cidade: a madeireira (representada pelo machado) e a mineradora (representada pela picareta).
É mui provável também que estes símbolos não representem, diretamente, os grupos supracitados, mas os protagonistas do desenho: Mabel (a estrela e arco-iris), Stanford (a mão de seis dedos), Wendy (o machado), e talvez o velho McGucket (a picareta), que desempenhou um papel importante na insurreição. Todavia, é de se considerar que alguns destes personagens não deixam de esboçar uma representação do corpo social, como a Wendy e o velho McGucket (que por mais que não seja um mineiro, pode ser uma representação grosseira de um caipira que procura por ouro). 



A nova economia - turismo e serviços 

Com a decadência da atividade mineradora, enquanto a atividade madeireira sempre se manteve como uma das principais atividades econômicas não só de Gravity Falls, como também, do estado de Oregon na vida real; outra atividade surgiu no palco dos acontecimentos: o turismo. 
Gravity Falls, como muitos lugares do Oregon, é famosa por suas lindas paisagens naturais (rios, florestas, lagos, cascatas e etc). É um lugar com grande potencial turístico e comercial, e seria um ótimo lugar para ter aqueles típicos acampamentos de verão que vemos tanto nos filmes e desenhos. Este contexto explica a existência da Cabana dos Mistérios, um exemplo de armadilha para turistas das mais fajutas e questionáveis possíveis. 

sábado, 3 de setembro de 2016

Hora de Aventura Iconoclasta #post100

Como o centéssimo post (não é bem o centéssimo post, mas foda-se), eu poderia estender meu posicionamento sobre a atual crise política aqui em meu blog, num entanto, creio que por ora eu já esteja feliz com a exposição que eu fiz em meu face.

Hoje apresento a vocês uma lista com os principais paradigmas que o Hora da Aventura quebrou em sua trajetória. O que me impeliu a escrever isso foi os dias que passei refletindo e discutindo sobre este desenho, tanto em meu escuro e solitário quarto quanto no pico cinzento e viscoso na frente de minha universidade.

Em "A Terceira Geração do Cartoon Nertwork: Jake Gumball", eu abordei sobre os novos desenhos da Cartoon Network, fazendo um paralelo com os velhos e buscando erigir uma discussão distante da falácia dos tempos de ouro que, amiúde, despreza os novos desenhos em virtude de um culto e sacralização do passado. Pois bem, eu problematizei este passado santificado e sustentei meu argumento que os desenhos do presente, se não são tão bons quanto os de outrora, são melhores. Um deles, é o Hora da Aventura, responsável por ter destruído tantos lugares comuns nos desenhos focados no público infanto-juvenil. Aquele post está incompleto, não fui muito feliz em alguns pontos, e neste post, de número 100, pretendo analisar mais detalhadamente o desenho Hora de Aventura. Compreendo, em ultima instância, que esta análise acarretará também numa inevitavel construção de uma historiografia dos desenhos animados, já que eu entendo o Hora de Aventura não como um corpo isolado, mas sim, como uma produção em sintonia e relação com um universo mais amplo: as produções infanto-juvenis.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Filosofando sobre Episódios - KND, A Turma do Bairro: Operação C.R.I.A

Eis que vos apresento uma análise que fiz acerca de um episódio no minimo intrigante. É verdade que é de um desenho ao qual nunca compartilhei grande apreço, mas devo admitir que este episódio em especial é bem foda. 


O episódio nos permite algumas reflexões no campo da Teoria da História: a forma como se estabelece uma interpretação histórica, uma narrativa e as suas relações com a memória. Se trata de uma narrativa histórica feita pelas crianças a cerca de uma interpretação do passado, uma narrativa que as coloca num lugar da história como as "inventoras" ou "criadoras" dos adultos. Os adultos seriam, nada mais e nada menos, do que determinados pelas demandas que elas criaram. 
Esta narrativa não nos contempla com um tempo cronológico aproximado (40 anos, 400 anos), portanto, podemos supor uma relação com o tempo que é muito diversa da nossa (talvez algo próximo da forma como uma criança interpreta o tempo como uma entidade não-quantitativa). Sabe-se porém, que em algum momento, devido á desigualdade nas condições materiais estabelecidas entre crianças e adultos, na exploração dos segundos sobre os primeiros, os adultos se rebelaram contra o poder e o arbitrio vigente, sendo forçados á se exilarem. 
No exílio, os adultos desenvolveram suas cidades e suas indústrias (o tempo que levou para isso acontecer, novamente, é muito dificil precisar), e conseguiram submeter as crianças aos seus mecanismos de controle (dinheiro, bens de consumo). O desenvolvimento da indústria permitiu que os adultos afirmassem, cada vez mais, seu poder e hegemonia sobre o mundo. Os adultos, ao superarem as crianças em recursos e tecnologias, acabaram que submetendo-as a um sistema social que lhes era hostil. O mundo lúdico dava lugar a um mundo repleto de instituições e burocracia. As crianças foram integradas ao mundo governado pelos adultos através das "familias", que num plano ideológico, era um meio de resolver os conflitos entre estes dois grupos. 

Das inventoras dos adultos, as crianças se converteram em seres dependentes dos adultos e seus mecanismos de controle. É isso que esta narrativa nos permite interpretar se nos detiver-mos exclusivamente nela. Esta narrativa, ao meu ver, possui um potencial didático e metodológico a ser explorado. Em nossa análise, poderia supor algumas meditações, como a operação historiográfica, e de como se efetua toda esta memória. O que esta narrativa nos permite conhecer do passado e o que ela influencia nas ações do presente? Se a história é feita deste conflito entre crianças e adultos, qual seria a sintese para se romper com este ciclo? Esta narrativa, ao meu ver, coloca a criança com uma missão bem clara: "pela história e por nossa memória, devemos nos libertar da opressão dos adultos!" Conclui-se, portanto, que narrativas podem ter fins politicos e messiânicos e que história não é simples coleção de dados: é uma justificativa para lutar.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Relato de Viagem: Guaratuba e minha loucura Pink Floyd Hawkwind

No período que compreende o dia 2 de 4 julho de 2016, eu percorri 3 cidades de bicicleta: Itapoá, Guaratuba, e Matinhos. Aproveito este espaço para compartilhar o relato que eu fiz desta jornada em meu diário, "Diário do Bardo sem Bandolim, vol. 3". Como pretendo que o conteúdo integral deste diário seja de acesso público daqui alguns anos, não vejo por que razão não compartilhar um capitulo especifico dele. 

Observação: a experiência em si demorou 3 dias, mas demorou mais de um mês para eu escrever todo o relato...Não por que me faltou tempo, mas por que eu simplesmente não tive tesão de redigir a experiência com tanto afinco.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Filosofando sobre episódios - Os milhões do Clarêncio (Clarêncio, o Otimista)

Nesta nova série, eu busco analisar e refletir sobre vários episódios de desenhos animados. A motivação desta empresa se deve ao fato de eu sentir que existe uma demanda quanto á isso, de sentir que ainda não há muita discussão sobre esses desenhos. Antes de buscar significados que não estão lá, eu escrevo isso acreditando que desenhos não são só meros entretenimentos (como fragmentos da cultura e da sociedade, os desenhos estão sujeitos á interpretações e discussões sobre estas entidades concretas que permitem que eles existam). 

Para inaugurar esta nova série, começarei por falar sobre um episódio que me intrigou muito chamado "Os Milhões do Clarêncio". 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Materialismo histórico, C. Lewis, e uma possivel aula

Se um dia tiver seres desafortunados que serão meus alunos e pupilos, pensei em utilizar, um argumento que eu extraí do livro "A Lógica dos Verdadeiros Argumentos" de Alec Fisher. Este livro, ou "Livro Verde" como eu gosto de chamar, me ensinou um pouco que eu sei de lógica básica, e filosofia da ciência...Eu ainda estudo formas e possibilidades de utilizar essa fonte em sala de aula, já que ele trabalha como uma série de argumentos, que vão desde do argumento Malthusiano, argumentos sobre a Guerra Fria, até argumentos mais complexos. Ele é um compilado de argumentos e meio que força você a estudar melhor os textos e as preposições. 


No final deste livro, tem um argumento que eu li, e admito, que me causou um certo desafio...Em verdade, fiquei um bom tempo refletindo sobre ele...É um argumento utilizado por C.S Lewis, em sua obra "Milagres". É um argumento contra a impossibilidade do universo ser regido por causas e razões irracionais e aleatórias, isto é, um argumento contra o naturalismo:


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Cinema no meio da floresta - Vá e Veja (1985)

Depois de muitos anos sem escrever porra nenhuma neste blog, eu decidi agora, nos 45 minutos do segundo tempo de 2015, redigir esta pretensa resenha.

De forma desinteressada, e até leviana, eu escolhi um filme qual quer para assistir antes de dormir: Vá e Veja (1985), de Elem Klimov. Eu só tinha assistido esse filme até a metade há uns dois anos atrás, e nunca mais retornei a assisti-lo (situação análoga e comum a muitos outros filmes). 
Eu pensava que seria mais um filme para assistir e dar aquela relaxada maluca na mente...Eu estava fodidamente enganado...Vá e Vejá (Idi i Smotri, em Russo) é um filme perturbador, muito diferente dos outros filmes de guerra que são acessiveis aos familiares, por exemplo.


A primeira metade do filme só ajudou a reafirmar as opniões que eu já tinha sobre ele: atuações estranhas e questionavéis que não criavam em mim qual quer tipo de elo com os personagens. Até o momento em que o protagonista, o jovem Florya, descobre que boa parte de seu vilarejo em Belarus foi morta por soldados alemães, o filme já começa a criar a atmosfera de loucura e histeria, mas nada que me perturbou exatamente (talvez eu possa considerar a trilha sonora, que tinha sido eficaz para construir algum terror psicológico). O filme, e boa parte dele, só deixava no ar um estranhamento, algo como: "Que merda que eu estou assistindo?"...A parte mais tensa, que cria enorme ira, ódio naquele que assiste, só ocorre nas cenas finais do filme.

domingo, 26 de julho de 2015

A Terceira Geração do Cartoon Network: Jake Gumball.

Á minha geração, de crianças barbudas que nasceram na primeira metade do década de 1990, ou na segunda metade da década de 1980, assim como muitas gerações antes dela, são movidas e animadas pela falácia dos tempos de ouro. Tendo em mente isso, temos um tão cultuada "Cartoon Network antiga"...Antes mesmo de esboçar se quer um parecer sobre isso, vamos compreender o que foi e o que é a Cartoon Network Brasil, e para isso, eu a pensei em três períodos: Cartoons Cartoons, Ben 10 e Jake Gumball. 

A primeira diz respeito á aquela Cartoon Network que tantas pessoas, com mais de 20 anos, tanto idolatram, uma idolatria que chega a ser um pouco religiosa. Uma Cartoon Network que vai desde dos seus primórdios até o ano de 2008, mais ou menos. O período é conhecido tanto pelos clássicos, da Hanna-Barbera, como pela efervescência de desenhos criativos e originais, como "Vaca e o Franco", "Coragem: o Cão Covarde", e "As Terriveis Aventura de Billy e Mandy" só para citar alguns. 

Aos poucos, sem percebermos, a emergência do Ben-10 estabeleceu um novo quadro, e um novo direcionamento para o canal...Os antigos desenhos tão aclamados não tiveram nenhuma continuação, se estagnaram no tempo, talvez por falta de apoio e incentivo do próprio canal. Este período foi caracterizado pela predominância de Ben-10 (que é um desenho que eu detesto), e suas sombras, desenhos menores que não chegaram nem a rivalizar com os antigos que eram colocados no ostracismo.

Então, nos últimos 3/4 anos (se não estou enganado), a CN conheceu outro período: Jake Gumball, que eu chamei assim para prestar homenagem aos dois protagonistas das séries que eu mais gosto no canal: Jake (Hora da Aventura) e Gumball Waterson (O Incrivel Mundo de  Gumball). Este post será para falar deste período em especifico e suas séries animadas.