Tomo a liberdade de postar uma postagem que comecei a escrever em Agosto de 2012, e que, só agora, finalizei. Minha demora para postar não foi a falta de tempo...Foi uma fodida procrastinação que permeia todos os abismos de minha mente. Se preparem, pois o post é longo... Para proporcioná-los uma experiencia peculiar, ao ler este post, eu sugiro o seguinte: 1. Ao começar a ler o terceiro paragrafo[3], coloque pra tocar a faixa Black Sabbath. 2. Só comece a ler o quinto parágrafo [5] depois do término da faixa "Black Sabbath". Feito isso, escute a Wizard. 3. Só comece a ler o sexto parágrafo[6] após o termino da musica anterior e assim por diante. Se preferirem, podem baixar o album neste link, e colocar o álbum pra tocar enquanto leem este post.
Cinco
de março de 1995, 7 horas da manhã. Pamela não demorou muito para
perceber a ausencia do marido. Acordou os filhos e todos se indagavam o
paradeiro de Marlon. Marlon, as vezes vazia peregrinações noturnas e
tinha o costume de desaparecer por alguns dias, porem, a carta que
deixou no balcão da cozinha, deixou todos perplexos. Nesta cara, se lia:
"Minha cara Pamela, sei o que fiz foi egoista e impulsivo. Não sou um
jovem sem compromissos, tenho familia, trabalho e lar, todavia, essas
instancias que tão fatalmente me estagnaram numa vida de classe média me
seduziram a fazer a mesma perigrinação que fizemos há 20 anos atrás.
Entenda, não sou uma poça d'agua, sou um homem. Nem preciso te lembrar
que sentia falta do vento batendo sobre meu rosto e de estar numa cidade
nova a cada dia. Talvez eu retorne depois do final da jornada, se ela
não me transformar completamente ou eu decidir viver como rato de
estrada até o final dos meus dias. Cuide bem das crianças, e se
perguntarem por mim, diga que eu desapareci, ou simplesmente, abandonei
minhas obrigações burocráticas e socias. Diga aos meus alunos que eu não
sou mais o seu professor e talvez não volte a lecionar. Mas não ache
que isso foi facil para mim...Se fosse, já teria os deixado a muito
tempo, mas agora, estava convicto de minha decisão".
Depois de viajar muito ouvindo as tres primeiras musicas do Physical Graffti (Custer Pie, The Rover, e In the name of dying) elas me inspiraram para escrever a história que vocês lerão. Esta história é divida em 3 partes: Juventude (Custard Pie), Uma viagem pelo passado (The rover) e o Funeral (In the time of Dying). Era para todas essas histórias estarem juntas no mesmo post, mas segui os conselhos de Celo Silva do Espectador Voraz de colocar cada parte em postagens separadas, pois, assim, o post não ficaria demasiado longo.
A juventude (Custard Pie)
Um grupo de hippies, Joe, Suzie, Pamela e Marlon, decidem comprar uma combe velha e fodida para viajarem sem destino pelo sul dos Estados Unidos. Todos vieram de Little Rock, no Arkansas, e eram amigos desde do jardim de infancia. Passaram a adolescencia ouvindo Chuck Berry, Muddy Waters, e mais recentemente, desde de 1966, escutam Jimi Hendrix e Janis Joplin.
A grande peregrinação já era um sonho antigo...Eles tiveram essa idéia no tempo em que cada um tinha o seus 13 há 14 anos. Toda a escola os considerava loucos e alguns o chamavam de "bastardos maconheiros". Joe, a personalidade mais forte do grupo, assim, adotou este nome pejorativo e batizou o grupo de "Eletric Bastards".
O album que vos apresento agora é a morte do Sarcofago tosco e infeliz do primeiro album. Ele representa uma evolução muito interessante do Rotting, a saber, que as musicas estão mais bem trabalhadas, contendo passagens melodicas que se encaixam bem nas musicas, alem de fraseados peculiares nunca usados pelo Sarcofago antes. Um album mais melodico, virtuoso e tecnico. Três adjetivos que são importantes de citar.
O homem, oprimido pelas convenções que segue para sobreviver, se indetificará com a Laws of Scourge, a primeira faixa do album. A letra, muito inspiradora, ficou em meu subconsciente por muito tempo, principalmente quando nos meus tempos de ensino médio...
"Only school to enter
Only linguage to learn
Nobody scape
FROM THE LAWS OF SCOURAGE"
Quem elaborou as leis que seguimos? Quer dizer, as leis e convenções que nos foram impostas em nenhum momento foram elaboradas por nós, mas por pessoas totalmente desconhecidas que talvez nem tivessem nenhum apreço por nós...
Então, das ruinas de uma sociedade enferma, liderada por valores impostos pela escoria da humanidade que visa preservar seus valores da decadencia, nós somos transportados para dentro de uma mente doentia e psicotica. O assassino em questão faz rituais com facas, adagas e outros objetos cortantes. Seu unico objetivo é estuprar e matar mulheres jovens perfurando seus corpos frageis e inocentes - o Sarcofago insistia em recorrer a temas morbidos, principalmente, suicidio e estupro. Focam também em relatar histórias infelizes de prostitutas, o que veremos em breve neste mesmo post.
A musica Piercings ainda tem uma excelente bateria e um excelente entrosamento com o baixo. A estrutura da musica é bem peculiar, contendo diversas frases interessantes que me fascinaram. Há uma passagem em peculiar que aprecio muito, quando a bateria está na primeira marcha e engata a quinta direto...Um verdadeiro "transe"...Sempre fico hipnotizado com esta parte. Parece interpretar um convulsão psicótica esta parte...
Do sangue e das tripas daquelas inocentes jovens, nós somos transportados agora para a parte mais suja da cidade, acometida pelo lixo e pelo esquecimento, aonde uma jovem prostituta declara seu proprio funeral, se despedindo deste mundo não consiguindo superar a grande tristeza que a acomete, muito menos o desgoto em continuar existindo. Conhecemos sua dura jornada, crescendo numa familia pobre e religiosa, fugindo da casa da familia para viver com o namorado drogado. Não vendo como sustentar a si mesma, ela não vê outra alternativa a não ser se prostituir...O desgosto pavimenta um caminho sem volta e ela corta os pulsos com uma navalha afiada. Então, de seu sangue imundo, se formam as seguintes palavras:
Midnight Queen, alone in the night Always dreaming with better days, Midnight Queen, I´m sorry for your life Your sorrow, for your Fate
Assim morre mais uma pessoa que ninguem sentirá falta...Como um mendigo ou indigente no mundo. Como se já tivesse nacido postuma.
O seu namorado, a vê-la mutilada e morta, decide se drogar mais uma vez. Depois de se drogar, ele decide ir correr a toda velocidade na cidade com seus 8 cilindros. Nada mais importava para ele, que desempregado e viciado, não se importava mais em morrer na estrada. Dirigindo sem prudencia nenhuma, ele bate contra um caminhão e suas tripas se espalham por todo o asfalto. Decapitado e mutilado, seu suicidio é consumado.
Prelude to a Suicide...Outra musica bonita e que intepreta o desespero mais latente que um individuo possa sentir...A musica não é tão empolgante como as outras, mas é um death/doom eficaz...
Secret of a Window consegue manter o clima morbido no album. Particularmente, não é uma das musicas que me empolgaram tanto.
Little Julie...Esta musica conta a história de uma menina de 11 anos que é estuprada e sacrificada por um maniaco.
"Eternity of torture to me
But I don't care if your body is so cold now
I dont need to carry this fucking cross
I´m not trying to be a new messiah
What is moral in this stupid world
You die for me, won´t do the same for you"
Por ultimo, para fechar o album, a musica Crush, Kill, destroy...
Uma musica para incentiva a se valer da violencia e da carneficina...Uma puramente agresiva, e não morbida e sombria como as faixas que a precedem. O chorus é um tipico chorus de thrash metal...Contagiante, que fica apontando o dedo para tudo e para todos, condenado tudo a sua frente...
"Show me your lust
Show me your hate Give us the power To desecrate
Gods of cruelty
Gods of sin Show us the way To win Crush, kill, destroy Crush - the envy Kill - your enemies Destroy - the bounds"
Eu estava inspirado, então, viz essa quarta surreal na sexta mesmo...
Eis aqui a minha interpretação sobre essa grande musica!
O ferreiro e o troll de Lundamyr
Numa cidade viking, nas margens de um fiorde noruegues, a maioria dos homens
do vilarejo, partem com seus barcos para irem lutar em terras
distantes. Os trolls, então, aproveitam a chance para citiar e dominar a
cidade, levando escravos consigo. Os poucos que conseguem fugir do
saque dos trolls, organizam a resistencia para retomar a cidade. O
pequeno exército insurgente, no caso, é constituido por mulheres e
adolescentes, alem de alguns poucos homens liderados por um ferreiro
que, ja tendo lutado em algumas batalhas, usa sua experiencia em combate
para treiná-los. Depois de um mês de preparativos, eles decidem atacar o
vilarejo dominado pelos trolls, e assim reconquistar a cidade. Eles
atacam pelo cair da noite, surpreendendo os trolls, forçando-os a se
retirar do vilarejo. Com a reconquista da cidade, os prisioneiros que
são libertados logo se juntam ao exército de resistencia, tendo em mente
que outro ataque troll seria iminente. Nesse meio tempo, o ferreiro e o
carpinteiro do vilarejo trabalharam em dobro em prol dos esforços de
guerra, conveccionando espadas, arcos e flechas, e armadruas. O ferreiro
também treinava o seu exército improvisado o quanto podia, ajudando
também nas barricadas feitas para repelir os Trolls.
Um Drakkar...
Depois de dois dias de preparativos, os trolls finalmente atacam, todavia, com uma
força muito maior do que no primeiro ataque. Graças as armadilhas,
emboscadas e pela inteligente estratégia elaborada pelo ferreiro, os
vikings conseguem fazer os trolls recuarem até a floresta de onde
vieram. Mesmo com a vitória, mais da metade daqueles que lutaram na
batalha pereceram, o que preocupou o ferreiro que logo convocou uma reunião com todos do vilarejo que tinham restado para decidir o que fariam: continuar resistindo até
os soldados retornarem de batalha, ou sair da cidade, procurando abrigo
em outra, e eventualmente, fazendo uma aliança militar contra os
trolls. Eles sabiam que não resistiriam muito tempo ao cerco empreendido
pelos trolls, e já estava faltando comida na cidade. A segunda
alternativa era a mais razoavel, todavia, a outra cidade ficava muito
distante e eles teriam que cruzar um território dominado pelos trolls,
ou seja, eles poderiam ser exterminados no caminho.
Eles então
preferem arriscar a segunda alternativa, deixando a cidade dois dias
depois da batalha. Mulheres, crianças, e idosos, marcham por aquele
trecho perigoso, levando consigo apenas o que conseguisem carregar. No
segundo dia de caminhada, eles são surpreendidos por uma emboscada, onde
quase todos os soldados remanescntes da batalha que ocorrera 4 dias
atrás, são mortos ou levados como prisioneiros. O ferreiro tenta fugir
com sua filha, até um rio ali perto. Porem, ele se vê diante de um
troll, que tenta intercepta-lo. Ele o esfaqueia com a espada, e continua
fugindo até que tem que lutar com outro troll que corre em sua direção.
A luta é veroz, porem, o ferreiro é vencido. O troll finca sua espada
em sua barriga, e chama o resto do batalhão para comemorar a morte do
lider da resistencia. Sua esposa corre até seu corpo, mas é impedida por um troll que a agarra. Sua mulher, histérica, gritava de tanta tristeza e se depatia nos braços do troll. A comemoração dos trolls é interrompida por uma coisa que eles mau conseguiam acreditar: o espirito de Gunnar estava subindo lento e vagarosamente para o alto. Todos ali pararam as pirraças, as humilhações aos derrotados e apenas assitiam aquilo admirados. Se a cena não fosse impressionante o bastante, ao chegar numa certa altura do solo, o espirito do ferreiro é visto sendo levado pelas Valquirias até os portões de Valhalla. Os trolls,
perplexos, deixam as armas cairem no chão, surpreendidos. Então, todos os Trolls ficam de joelhos ao homem que foi aceito por Odin em Asgard.
O peculiar acontecimento foi o suficiente para convencer o chefe dos Trolls a fazer um funeral digno da honra do homem
que tinham acabado de matar. No dia seguinte, eles o cremam num barco, e
neste mesmo dia, os guerreiros do vilarejo voltaram da batalha e se
depararam com uma cena curiosa: os trolls fazendo um pacto de
não-agressão com o vilarejo, como também, um pacto de colaboração em
tempos de guerra. O fato de ter um navio em chamas também chamou
bastante atenção deles, até que um dos guerreiros perguntou: "Quem foi o
homem que foi pra Valhalla?". Um dos Trolls respondera: "Aquele que uniu os trolls aos homens, o homem que mostrou que há um guerreiro dentro de cada mulher e de cada criança. Seu espirito já foi aceito pelos deuses, basta a nós apenas dar um funeral digno".
Cronologia de eventos:
0:30 - Algumas esposas do vilarejo insistem aos seus maridos a não irem lutar, pois tinham um mal presentimento que algo ruim iria acontecer...Eles são irredutiveis e não a dão ouvidos. 0:57 - Ultimos preparativos para a embarcarem no Drakkar que os espera. 1:30 - Muitos homens do vilarejo partem de Lundamyr pela manhã, para se reunir com outros clãs aliados numa guerra no sul. 1:47 - Ataque supressa dos Trolls á cidade 12 horas depois que os guerreiros do vilarejo partiram. 2:00 - Fuga dos sobreviventes liderados pelo ferreiro Gunnar Balstrom. 2:26 - Os trolls são surpreendidos pelo exército composto por adolescentes e mulheres de Gunnar, e batem em retirada. 2:40 - Preparativos para um ataque troll iminente. Armadilhas são feitas ao longo da floresta, estacas de madeiras são colocadas ao longo dos limites da pequena cidade. 2:50 - Os trolls tentam retomar a cidade, mas sem êxito. Houve muitas perdas para ambos os lados. 3:17 - Final da batalha e os sobreviventes do vilarejo se reunem para decidir se continuam resistindo as constante pilhagens empreendidas pelos trolls, ou caminham pela perigosa floresta que os separa por milhas de cidades de tribos aliadas. 3:43 - Inicio da longa marcha pela floresta. 4:10 - Eles começam a andar por um trecho bem perigoso da floresta, e Gunnar começa a disconfiar que algo irá acontecer... 4:48 - Emboscada dos Trolls. Uma luta violenta toma conta daquela parte da floresta. 6:00 - Gunnar é morto. 6:31 - O espirito de Gunnar começa a levitar no ar. 7:07 - As valquirias começam a leva-lo para a Valhala. Os trolls e os sobreviventes do vilarejos ficam hipnotizados sem acreditar no que vêem. 7:53 - Os trolls, demonstrando respeito pelo morto, carregam seu corpo até o vilarejo e constroem um barco para ele. 8:20 - No dia depois de sua morte, ocorre o seu funeral no fiorde de Lundamyr. 8:30 - De longe, os drakkars surgiam no horizonte. Os guerreiros estavam voltando para casa, e admirados, vêem aquele barco em chamas há algumas centenas de metros do vilarejo.